Conceito B2B2C Já é Realidade no E-commerce
*Por Rafael
Jakubowski
Toda empresa ganha, em sua concepção, um modelo
de negócio como base para as atividades. Pela definição do Sebrae, modelo de
negócio é "a forma como a empresa cria, entrega e captura valor". Isso
significa que não existe uma única receita de como fazer. É possível que cada
gestor e cada empresa desenvolvam o modelo que faça mais sentido para que a
entrega de valor ocorra.
No cenário atual, vemos que boa parte das
empresas, independente do porte, atuam no modelo B2B (business to business), em
que as relações comerciais se dão entre empresas, ou no modelo B2C (business to consumer), em
que a companhia entrega um produto ao consumidor final.
Para ficar mais claro, vou exemplificar.
Imagine uma indústria do setor têxtil que fabrica roupa de cama, mesa e banho. No modelo "tradicional" de negócios, ou seguindo o B2B, essa indústria vende
seus produtos a diversas lojas e seu ciclo de produção/vendas estaria fechado.
As lojas que compram os produtos da indústria, por sua vez, é que são as
responsáveis por fazer com que eles cheguem ao consumidor final, o conhecido
modelo B2C. No final das contas, todo o relacionamento com o consumidor é
desenvolvido pela loja.
Observando o mercado e conversando com
executivos de diversos setores, foi possível identificar a necessidade de
criação de um modelo mais ousado, que promovesse a integração entre as empresas
e o consumidor final. Chamamos esse modelo de negócios de B2B2C, ou seja, business to business to consumer.
Por este conceito, há uma integração total entre indústria, loja e consumidor.
A indústria (B) tem seu próprio e-commerce e repassa as oportunidades de vendas
às lojas e revendas parceiras (2B) para que estas possam efetivamente
concretizá-las junto ao consumidor final (C). Essa já é uma realidade e um
modelo que está sendo utilizado por uma série de indústrias e revendas com
sucesso.
Com esse modelo, afirmo que é possível que as
indústrias estabeleçam um canal de vendas pela internet a fim de facilitar o
acesso direto do consumidor final aos seus produtos. A estratégia está em
conciliar a abertura deste canal de vendas e o relacionamento direto com o
consumidor sem perder as relações ou criar um conflito com as lojas e revendas.
O e-commerce deve ser encarado não apenas como
um canal de vendas para a indústria, mas como um gerador de oportunidades para
os revendedores. É perfeitamente possível e viável que a indústria faça suas vendas
por um e-commerce próprio e as direcione para as revendas e lojas mais próximas
do endereço do consumidor. Também é totalmente plausível que a própria
indústria atenda os consumidores se nenhuma das lojas e revendas parceiras
tiver o produto adquirido disponível em estoque. Operar de maneira integrada,
só faz indústria e revendas ganharem com a ampliação do volume de vendas e
proporciona ao consumidor uma experiência diferenciada, com atendimento mais
rápido e eficiente. Quem abrir os olhos para esse modelo de operação,
certamente colherá bons frutos em um futuro muito próximo!
*Rafael Jakubowski é CMO da
Energy Connect.
