Comportamento do Consumidor e o Renascimento da Experiência do Cliente
*Por Regina Monge
Sem
dúvida a covid-19 é uma das maiores crises da humanidade nos últimos 100 anos,
e vimos o comportamento de compra simplesmente avançar. O e-commerce cresceu
muito durante a pandemia, devendo crescer ainda mais. Muitos consumidores foram
forçados a usar canais digitais para compra de bens ou utilização de serviços,
provocando uma aceleração para as compras on-line e uma necessidade crescente
de focar no omnichannel.
Entretanto, isso não significa que as compras em lojas físicas se tornarão
obsoletas.
Pela
primeira vez em dez anos, a quantidade de tempo que as pessoas passam assistindo
televisão em casa aumentou, assim como investem mais tempo em autocuidado,
saúde mental e bem-estar físico, e há aumento na demanda por bem-estar digital.
A
instabilidade dos empregos, o medo e o estresse causados pela pandemia, e as
pessoas estocando o essencial em casa, também têm levado o consumidor a dar
mais foco nas compras baseadas em valor.
Todas
essas mudanças comportamentais geram mudança nos hábitos de consumo - já que as
pessoas gastam mais em experiências e menos em coisas materiais.
Os
consumidores de hoje não gostam de desculpas, especialmente quando se trata de
usabilidade, preço acessível e conveniência. Mesmo considerando seu forte
crescimento, o sucesso do comércio eletrônico depende da last mile. Tudo se resume à
entrega - a experiência até a porta dos consumidores desencadeia emoções.
Embora
a loja como centro de distribuição possa ser uma estratégia eficaz, ela requer
sistemas e unidades de negócios que se comuniquem entre si para cumprir a
promessa da marca. A percepção do usuário depende quase exclusivamente da
sensação que ele vai experimentar nesta fase final.
Para
melhorar, é preciso pensar maior do que o e-commerce. A principal questão que
as empresas devem se perguntar primeiro não é: "Quais investimentos em
tecnologia ou inovação eu preciso fazer?", mas sim "Qual experiência do
consumidor eu preciso criar para gerar percepção de valor e memória de marca?".
A
expectativa do consumidor é que a experiência seja simples, rápida, clara e
intuitiva. Com o passar do tempo, isso ficou fácil de copiar e deixou de ter
diferenciação o suficiente para que uma marca conquiste o consumidor de forma
automática. Estamos vivendo um mar de mesmices nesse sentido e devemos ir além
da crença de que os pontos de contato são onde as experiências começam e
terminam.
Um
renascimento da experiência está em andamento, impulsionado pelos próprios
consumidores. Segundo a Accenture, as empresas devem ir além da filosofia de CX
(Customer Experience) e repensar todo o negócio em torno de criar experiências
excepcionais.
E
aqui fica um alerta para as empresas: a urgente necessidade de evoluir o CX
criando uma abordagem mais holística envolvendo todo o business. Nesse caso, é
imprescindível a participação direta do CEO. Hoje o consumidor compara
experiências, por isso marcas não competem apenas em seus mercados, e sim na
mente das pessoas.
*Regina
Monge é membro da diretoria de
marketing da ABComm.
