A importância da integração entre repositores e promotores no varejo
*Por Carlos Wayand, CEO daMob2Con
A eficiência na reposição de produtos nas
gôndolas é um ato essencial para o sucesso de qualquer rede varejista. Hoje
também já está claro que a presença dos promotores de vendas desempenha um
papel crucial nesta jornada, uma vez que esses profissionais são responsáveis
por realizar a tarefa nas lojas.
No entanto, essa questão também tem
gerado considerável debate dentro do setor. Até que ponto a dependência dos
promotores é realmente necessária e se realmente delegar a totalidade das
tarefas de reposição é uma abordagem de fato eficaz?
Antes de entrar no assunto, vale ressaltar que as atividades
realizadas por esses profissionais não são 100% delegadas formalmente. Mas o
que notamos ao avaliar o mercado é de que se trata de uma realidade na prática,
principalmente por uma questão de limitação de recursos. Assim, não raro
percebemos que o comportamento da equipe interna de repositores de loja assume
uma postura de distanciamento perante os produtos em que existe a presença dos
promotores, tanto é que muitas vezes esses artigos nem entram na lista de
atividades do repositor. Tudo isso simboliza um risco para o lojista, pois um
promotor pode faltar ou não conseguir efetuar todo o trabalho de
reposição.
O resultado desse panorama é o aumento significativo da chamada
ruptura operacional, termo utilizado para quando um produto está presente no
estoque da loja, mas não está disponível para o consumidor na gôndola. O
problema não apenas provoca a perda de vendas, mas também pode gerar uma enorme
insatisfação por parte dos clientes, resultando em um enorme prejuízo
reputacional da loja.
Todo esse cenário acontece
principalmente por conta de um fator importante: a falta de promotores ou o
tempo limitado de visitas. Como esses profissionais possuem um período de
atuação muito restrito, uma vez que precisam visitar entre três e quatro lojas
diariamente, nem sempre eles conseguem executar todas as tarefas a contento em
cada unidade.
Diante dessa conjuntura, é fundamental que as lojas entendam a
importância de criar estratégias que ajudem a impulsionar o trabalho dos
promotores e, simultaneamente, contribuam com as atividades dos seus
repositores. Uma das maneiras mais sólidas disso ocorrer é garantir que haja
cooperação entre ambos os profissionais, a fim de estruturar um direcionamento
às atividades prioritárias do promotor.
Nesse caso, é necessário que o promotor tenha à sua disposição
informações críticas para a construção de um plano assertivo. Dados como
quantidade de produtos em estoque, os itens cuja reposição é mais emergencial,
mercadorias que foram recebidas, os pontos promocionais a serem ativados, entre
outros indicadores. Muitos desses insumos apenas são possíveis com um
acompanhamento próximo por parte da equipe interna dos estabelecimentos, além
do auxílio de plataformas tecnológicas para auxiliar no processo.
Aliás, hoje já existem empresas cujo papel é justamente
disponibilizar recursos fixos (Promotores) em lojas visando alinhar o trabalho
entre as três partes: as redes varejistas, os fornecedores e as agências de
promotores. Por meio dela, é possível melhorar a eficiência operacional e a
qualidade da experiência do cliente, por meio de dados e insumos que asseguram
a priorização das atividades de reposição e, consequentemente, a minimização da
ruptura operacional.
A verdade é que está na hora do setor varejista atuar de uma
maneira mais eficiente para atacar o problema da reposição de gôndolas. Sem uma
completa integração entre os profissionais envolvidos na tarefa, o varejo tende
a continuar apresentando as mesmas falhas. O momento de reverter esse cenário é
agora.
