Pesquisa aponta queda da lógica trade-off no setor de logística e tendência no uso de dados e novas tecnologias
Uma nova pesquisa conduzida pela Platform Science, multinacional americana especializada em soluções de segurança para o setor de transporte, apontou que gestores do setor deixaram para trás a lógica do trade-off após serem pressionados por custos operacionais recordes, escassez de mão de obra e maior rigor regulatório. Segundo a pesquisa, 90% dos respondentes apontam a redução de custos operacionais como o principal desafio do setor, incluindo despesas com combustível, manutenção e pneus. Isso ocorre em um cenário de volatilidade no preço de combustíveis e juros altos para renovação de frota.
Novo cenário no setor
No entanto, o que mais chama a atenção dos analistas é que produtividade (77,2%) e segurança (76,1%) aparecem tecnicamente empatadas, indicando que o mercado não aceita mais sacrificar uma dimensão em nome da outra. "Por muito tempo, o setor operou em um jogo de soma zero: para ganhar eficiência, muitas vezes aceitava-se um incremento de risco. Os dados mostram que essa lógica enfim acabou. O gestor de frotas hoje precisa usar os dados e a tecnologia para entregar rentabilidade e segurança, ou a conta simplesmente não fecha", afirma Rony Neri, diretor-executivo LATAM da Platform Science.
Uso de dados e novas tecnologias
O levantamento também aponta como dado estratégico a entrada definitiva do uso de dados e novas tecnologias no topo das prioridades do setor. Pela primeira vez desde o início da série histórica, 52,4% dos profissionais apontam a tecnologia como um dos principais caminhos para enfrentar os desafios da operação. Segundo o estudo, o movimento reflete uma mudança estrutural: equipes mais enxutas, operações mais complexas e sistemas ainda pouco integrados estão forçando empresas a buscar inteligência operacional para ganhar eficiência sem aumentar riscos. "A tecnologia deixou de ser um acessório e passou a ser o único meio viável para resolver a equação de fazer mais, com menos recursos e com mais segurança. Com inteligência operacional, a empresa ganha competitividade e maximiza o retorno em um setor de margens tão estreitas", diz Neri.
Juventude em ascensão
Outro ponto abordado na pesquisa foi a aceleração consistente da renovação geracional no setor, com impactos diretos na forma como a logística e a gestão de frotas vêm sendo conduzidas. Profissionais nascidos entre 1981 e 1996 já representam mais de 53% da força de trabalho, enquanto a participação da geração mais jovem (1997 a 2009) praticamente dobrou em relação a levantamentos anteriores, alcançando 19,5%. Apesar da renovação, o nível de qualificação permanece elevado. Mais de 83% dos profissionais possuem ensino superior ou pós-graduação. "A Geração Z finalmente enxerga a logística como um campo de profissionalização e crescimento. Não à toa, em menos de 24 meses praticamente dobramos a participação desse público no segmento", explica o diretor. Segundo ele, esse movimento contribui diretamente para a modernização do setor e para ganhos econômicos relevantes, como a redução de custos operacionais, melhor controle de ativos e aumento da produtividade.
