TransEmpregos Insere 797 Profissionais no Mercado em 2021
Empregabilidade Trans


Texto: Júlia Pestana
No Brasil, estima-se que
4% das pessoas trans e travestis possuem um emprego formal, segundo um
levantamento da Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra). A falta
de maiores dados oficiais sobre essa população dificulta a criação de iniciativas
voltadas para uma inclusão efetiva. Entretanto, na tentativa de mitigar essa
lacuna, projetos como a TransEmpregos chegam a empregar 800 pessoas trans em um
ano. Em entrevista exclusiva ao Jornal Giro News, a idealizadora da plataforma,
Márcia Rocha, conta que o projeto contabiliza 21 mil currículos em seu banco de dados."Estamos com 1.600 empresas, dessas 200 são
multinacionais."
Anúncios Automatizados
O site de
empregabilidade é gratuito, tanto para as empresas quanto para o candidato.
"Nós recebemos mais de 30 oportunidades por dia para colocar no site, então
tivemos que automatizar o sistema. Hoje, a empresa lê a nossa cartilha, faz o
anúncio diretamente e nós apenas conferimos e postamos nas redes sociais",
explica Márcia. Em 2020, foram contratadas 707 pessoas e, em 2021, houve um aumento,contabilizando797 contratações. "A TransEmpregos cresceu
juntos dos debates sobre diversidade. Há dez anos não havia visibilidade das
pessoas trans, faz parte do movimento de perceber que existe um ser humano e
que é digno de direitos", afirma a empresária.
Compromisso com a Diversidade
Márcia foi a primeira
advogada transexual a ter o direito de usar o nome social na carteirinha da
Ordem dos Advogados do Brasil. Diante da sua trajetória, conta que a meta é que
a TransEmpregos não precise existir. "A finalidade é fazer com que o mundo nos
veja como pessoas capazes de trabalhar. O sucesso da TransEmpregos virá quando
a tarefa não for mais necessária, quando as trans tiverem dignidade e
independência." Além disso, pelo lado das empresas, Márcia ressalta que
negócios que têm compromisso com a diversidade apresentam uma performance
financeira melhor. "Tem gente capacitada, criativa e várias visões, mas as
empresas não contratam por preconceito e apenas perdem nos negócios", finaliza.
