Anvisa analisa recurso da Ypê nesta sexta-feira; empresa propõe plano de R$ 130 milhões em reestruturação
A diretoria colegiada da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) julga hoje (15) o recurso administrativo apresentado pela Ypê (Química Amparo) contra a suspensão da fabricação, distribuição e venda de produtos das linhas de detergente, sabão em pó e desinfetante. A punição ocorreu após fiscalizações apontarem risco de contaminação pela bactéria Pseudomonas aeruginosa. Embora o recurso garanta efeito suspensivo à sanção, a empresa optou por paralisar a produção em Amparo (SP) para acelerar as adequações. O julgamento estava previsto para a última quarta-feira (13), mas foi transferido para hoje.
Histórico
A crise é desdobramento de inspeções iniciadas por denúncias da Unilever e auditorias da própria Ypê no fim do ano passado. O cenário se agravou em abril de 2026, quando vistorias registraram 88 "não conformidades" e apontaram 142 lotes em estoque com análises insatisfatórias. Em reunião com a autarquia no dia 9 de abril, a fabricante sinalizou um aporte de R$ 100 milhões a R$ 110 milhões, valor revisado para R$ 130 milhões nas últimas semanas após o endurecimento das cobranças regulatórias.
O plano foca no tratamento de água e na execução de 239 ações corretivas. Segundo informou a empresa à Senacom, 59% das melhorias projetadas até 2027 já foram concluídas, incluindo um laboratório de microbiologia de nível farmacêutico e a redução do intervalo de higienização das instalações para cada 7 dias. Ontem (14), executivos da Ypê reuniram-se com a Anvisa para apresentar laudos técnicos, enquanto a agência ressaltou que a proposta não configura homologação automática e exige o cumprimento das Boas Práticas de Fabricação.