Acessibilidade no varejo e a democratização da jornada de compra
Inclusão no Ponto de Venda
Uma pesquisa da startup
Inclue, que trabalha a inclusão na experiência de consumo através de
capacitação a varejistas, aponta que 67,2% das pessoas com deficiência (PcD)
afirmam que há falta de capacitação e acessibilidade no varejo. Feito com 116
pessoas com deficiência e acompanhantes que fazem parte da jornada de compra, o
levantamento reflete diversos obstáculos encontrados nos pontos de venda, desde
a entrada na loja até o pagamento. "O maior problema é que as pessoas que
executam, desde o arquiteto e o engenheiro, não conhecem a vivência da pessoa
com deficiência. A partir do momento que se projeta correto, o custo é o mesmo,
não tem que ter investimentos excedentes", comenta Alessandra Trigo,
consultora, mentora e palestrante em diversidade e inclusão, em entrevista
exclusiva ao Jornal Giro News.
Obstáculos na Compra
Dentre os problemas
identificados na experiência em loja, estão o alcance restrito aos produtos nas
gôndolas, as portas de vidro sem sinalização, que podem provocar a colisão de
pessoas com deficiência visual, e as portas com sensores que não detectam
pessoas de baixa estatura. Segundo Alessandra, a lista é extensa: "nos
banheiros, os acessórios ficam nos lugares errados, longe do vaso sanitário; há
espaços onde uma cadeira de rodas não passa; as geladeiras e gôndolas de
hortifruti têm ferros na frente, impedindo o acesso; os balcões de açougue e
padaria não permitem que o atendente veja uma pessoa com baixa estatura; a tela
de leitura dos preços fica muito alta e não permite acompanhar a compra; as
maquininhas ficam amarradas na altura do caixa...". Para a mentora, além da
adaptação das estruturas, também é necessário treinar os colaboradores, para
que sejam capacitados a lidar com diferentes situações e públicos.
Novo Padrão de Exposição
Para minimizar um dos
atritos encontrados na jornada de compra, um Projeto de Lei (nº 3.315/2023) que
está em tramitação na Câmara dos Deputados propõe que supermercados,
hipermercados e atacadistas trabalhem a exposição dos produtos de forma
vertical em suas gôndolas, como forma de torná-los acessíveis para pessoas com
deficiência ou mobilidade reduzida temporariamente. "Não haverá nenhum gasto
por parte dos supermercados, hipermercados e atacadistas. Eles deverão apenas
mudar a logística da colocação dos produtos da mesma marca e tipo nas
prateleiras, adotando o padrão vertical", comenta o deputado Luiz Carlos Motta,
autor do Projeto de Lei. A proposta seguirá para o Senado e, se aprovada,
entrará em vigor na data da sua publicação, em todo o território nacional.
Fidelização
Segundo Motta, o objetivo
é oferecer acessibilidade para que pessoas com deficiência e mobilidade
reduzida possam realizar suas compras com autonomia e independência. "Muitos
públicos que não se sentem acolhidos passarão a ter uma vontade implícita de
realizar suas compras e, com isso, ensejará um aumento de consumo e agregará
valor à marca", avalia. Para Alessandra, propiciar uma jornada de compra
acessível também amplia a fidelização, visto que, a partir do momento que esses
shoppers visitam uma loja que democratiza o acesso, eles retornam para ela.
"São coisas pequenas, mas que fidelizam. Quando eu falo de verticalização das
prateleiras, por exemplo, não é só para PcD. O público vai ser maior. O idoso,
o obeso, a criança e a grávida também vão conseguir pegar o produto", conclui.
