Agência Cria Resolução sem Consulta Pública e Propõe Certificação Digital Obrigatória e Paga para Transações Eletrônicas
Varejo Farmacêutico Critica Resolução da Anvisa que Propõe Cartório Digital
*Por Abrafarma
A
Anvisa ensaia aprovar uma resolução com base na Medida Provisória (MP)
nº 983 e, com isso, criar um verdadeiro cartório digital no país. A
intenção da autarquia vem provocando duras críticas do varejo
farmacêutico. Além de o texto não ter sido submetido à consulta pública,
o projeto prevê a cobrança obrigatória de certificação digital para
todos os médicos que receitarem remédios prescritos de forma eletrônica.
Farmacêuticos também serão obrigados a comprar certificado digital para
dispensar o medicamento na farmácia.
Por
meio de um portal criado pelo Instituto Nacional de Tecnologia da
Informação, autarquia ligada à Casa Civil, passariam a ser validadas
todas as prescrições de medicamentos vendidos nas farmácias brasileiras.
No entanto, embora o Brasil tenha mais de 200 empresas privadas que
disponibilizam inúmeras formas de segurança digital, muitas delas
gratuitas, o site exige um único formato, hoje com baixo acesso e pouca penetração.
"Lamentamos
que a Anvisa defenda um modelo cartorial, ferindo inclusive a Lei de
Liberdade Econômica, quando o resto do governo simplifica, avança e
busca soluções de ponta pra o país. A agência mostra que está
desconectada do Brasil de hoje", aponta Sergio Mena Barreto, CEO da Abrafarma, que representa as 26 maiores redes de farmácias do país e 45% da venda de medicamentos.
Com
essa manobra, a Anvisa desvirtua completamente a intenção da própria
Medida Provisória, acentua o executivo. Segundo ele, a proposta do
governo é facilitar e, portanto, abre a possibilidade do uso de uma
assinatura digital avançada, mais simples e segura; e outra qualificada,
baseada em certificado digital. "Mas a Anvisa desconhece todos os
avanços tecnológicos dos últimos 20 anos e insiste em um modelo que
ficou pra trás, optando somente pela assinatura qualificada. Para as
farmácias e para o consumidor, será mais burocracia. Ficaremos reféns de
um sistema que não cabe mais na era do blockchain.
É o Brasil velho, das autarquias e do cartorialismo, tentando mostrar
seus dentes em plena era da liberdade econômica", critica.
*A Associação Brasileira das Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma) é a entidade representativa do mercado farmacêutico brasileiro.
28/07/2020
