Tente Outra Vez!
*Por FlávioStoliar
Eu
nunca soube o motivo, mas"Tente outra vez"éuma das
minhasmúsicasfavoritas dosaudosoe genialRaul
Seixas. Elatem umacadência arrastada, umapegadameio
brega-gospeleumaletradeautoajuda;mas,
quandoa escutome traz uma energia boa, me faz
cantaretem uma frasequesempreme chamou
muitaatenção: "não pense que a cabeça aguenta se você parar".
Passei
a vidaouvindofalar e acreditandono contrário,
queeraamentequecontrolava o corpo. Mas, como o proféticoRaulzitopreviu,
omundo parou erealmentenossas cabeças não estão aguentando.
Uma pesquisarecente realizada pelo Instituto de Psicologia da UERJ
mostrou que, durante a pandemia, o número de casos de ansiedade e estresse
aumentaramem 80% e osde depressãoem 50%.
O
medo do vírus,a guerra política e, principalmente, o afastamento social
estão dilacerando nossa saúde mental.E para piorar, a crise econômica
está nos impondo uma pressão por resultados imediatoseaprendizados
urgentes.Segundo o LinkedIn, para 2020, precisamosser criativos,
colaborativos, adaptáveis, persuasivose emocionalmente inteligentes; ou
seja, precisamos ser inovadores.
Realmente,
tenho reparado uma busca implacável das empresas por cursos, metodologias e
ferramentas que ajudemno desenvolvimento dessas e
outrassoftskillsem seus colaboradores. Mas,isso nos leva a
dois grandes questionamentos:
1-
Como ser inovador sem tempo e margem paraerro, se
ainovaçãonada mais é do queum processo contínuo de tentativa
e erro?
2-Será
que nesse momento,em que nossas cabeças não estão dando conta do básico,
essasdeveriamser nossasprioridades?
Desde
Maslowjásabemos quais sãoasnossas prioridades.
E,maisóbvio ainda do que isso,éo fato de quemedo,
tensão, solidão e tristeza não se curam com mais trabalho e, infelizmente, 100%
das pessoas que conheço estão trabalhando muito mais durante a pandemia do que
antes dela.
Para
não ficarmos todos"malucos-beleza",mais do que prioridade, a
preocupação efetiva e constante pelobem-estar de nossos
colaboradoresdeve ser uma obsessão.Eaí vem mais um
questionamento:será que sabemos o queverdadeiramentenos faz
sentir bem e nos traz felicidade?
Na
busca por essa resposta, apsicóloga e professoradeCiência da
Felicidade emYale, Dra.Laurie Santos, juntou os resultados de
décadas de pesquisas sobre otemae criou o curso "A psicologia e a
vida boa", o mais popular da história da universidade. Em seu
podcast,TheHappinessLab, ela mostra que felicidade é algo que
pode ser adquirido, basta ser estimuladacom a prática de alguns hábitos e
comportamentos simples em nosso diaadia. Os principais são:
1.Seja
altruísta-Ajudaros outros te fazmais feliz do que a
própria pessoaque foiajudada;
2.Seja
sociável (de verdade)-Saia das redes sociais; elas são
tóxicas!Interajaao máximocomamigos, familiares, colegas
e até desconhecidos.Faça-se presente,apesar
dadistância;
3.Seja
grato-Exercer gratidão melhora seu humor, sono e até sua imunidade.
Agradeçae valorizeas coisas boas que acontecem em sua vida;
4.Releveascoisas
ruins-Principalmente aquelas sobreos quais você não tem
controle,nem influência;
5.Mantenha
hábitos saudáveis-Fazer exercícios, dormir bemecomer
bemsão os melhores remédios tanto para o corpo quanto para a
mente.
Parecem
práticas óbvias e clichês, mas são resultados de décadas de
pesquisas,possuem base científicae, repare, o isolamento social nos
dificultaaexercer cada uma delas.
Além disso,a sobrecarga
no trabalho e a falta deações corporativas para estimular esses
hábitostambémnão têm nos ajudado.
Estamos
vivendo o momento mais complicado de nossas vidase, sim, precisamos
trabalhar duro para superar essa crise. Mas, uma vez que nossas necessidades e
prioridadesjáestão mapeadas,leva-as sempreem
consideração em suas iniciativas.A situação nos exige
serinovadore arriscar; mas,sealgonão der certo de
primeira, não se cobre tanto, respire,aprendacomoserros,
peça ajudaetente outra vez.
*
FlávioStoliaré CEO daPlayerUm.
