Supermercados e a Experiência Digital do Consumidor
*Por Daniela Gebara
Com a aceleração nas compras online e a
ampla adesão aos e-commerces, é visível que os consumidores estão buscando por
boas experiências de compra na internet. É como se a expectativa fosse a de
encontrar os produtos com a mesma facilidade com a qual circulamos pelos
corredores de uma loja física. No setor supermercadista, essa experiência
digital se tornou fundamental para o crescimento nos negócios.
Para se ter uma ideia, a participação do
segmento de "comidas e bebidas" no comércio digital cresceu 57,42% no último
ano, como aponta o relatório E-commerce no Brasil, realizado pela agência
Conversion. Além disso, as vendas não apenas migraram do meio físico para o
digital, mas realmente aumentaram: segundo dados da Associação Brasileira de
Supermercados (ABRAS), houve um aumento de 7% das vendas no primeiro trimestre
de 2021 em relação ao mesmo período de 2020.
Uma das formas que os supermercados
encontraram para ajudar a impulsionar esse crescimento foi o marketing digital,
e as boas práticas e o alinhamento das expectativas do consumidor nos ambientes
online e offline podem ter contribuído para esse aumento das vendas. Ou seja,
os estabelecimentos passaram a utilizar o marketing digital tanto para atrair
novos clientes quanto para manter o relacionamento com os antigos.
Mas, para realizar ações assertivas, foi
necessário compreender os hábitos de consumo e as expectativas dos clientes. Já
que o consumidor busca a mesma experiência de compra no online e no meio físico
- ou seja, ele é omnichannel -, cabe às empresas promover essa integração. No
caso dos supermercados, não é ruim procurar um produto na loja e não encontrar?
Não é péssimo ter que encarar uma fila gigantesca para pagar? Dadas as devidas
condições de ambiente, no online, a lógica é a mesma.
Uma ferramenta de grande valor para os
supermercados e que contribui para a melhora da experiência de compra online é
o uso da análise de dados. Se for capaz de fazer isso corretamente, a conexão
entre oferta e demanda se intensifica e outras possibilidades, como o envio de
anúncios personalizados para cada consumidor, impactam ainda mais nas vendas.
Ainda de acordo com a análise dos perfis individuais de consumo, é possível
também que as redes supermercadistas sugiram novos hábitos e novos produtos aos
clientes.
Outro ponto a se prestar atenção é a boa navegabilidade e
usabilidade do site, que também são essenciais para potencializar os negócios.
Aí é que entram os detalhes, como a organização das categorias, o bom
funcionamento do buscador por produtos ou palavras-chave e o carregamento
rápido da página, que deixam o site ou aplicativo atraente para o cliente. Os
usuários devem conseguir encontrar tudo o que precisam com facilidade e sem
serem barrados por obstáculos técnicos. Parecem detalhes irrelevantes, mas,
quando a experiência de compra se torna frustrante para o consumidor, ele
provavelmente optará por outro e-commerce.
São coisas como essas que fazem com que o cliente retorne ao site
no futuro. Os sites intuitivos são mais atrativos, facilitam o procedimento e
resolvem o problema do consumidor. E, claro, as experiências positivas do
e-commerce devem ser aplicadas nas lojas físicas. A loja digital pode, por
exemplo, relacionar produtos e indicar correlações por meio do algoritmo - nada
impede que esse aprendizado seja replicado na loja física, por meio do
reposicionamento dos itens. Esse é apenas um exemplo de possibilidades de
integração entre os meios online e offline.
Por fim, é preciso sempre lembrar que o marketing digital não se
resume a anúncios e redes sociais. Uma boa estratégia vai além: é pensada,
calculada, controlada e traz resultados. No setor de supermercados, há uma
variedade de ações que podem contribuir para que a marca garanta sua presença
digital, como mídias pagas, as técnicas de SEO e a criação de conteúdo
relevante, por exemplo. Quando tudo isso acontece de forma harmônica e
estratégica, a experiência do cliente tende a ser bem mais positiva.
*Daniela Gebara é sócia fundadora e diretora comercial da agência
full digital
Rockydo Grupo Raccoon, empresa da S4
Capital.
