Ressignificando o Varejo Pela Tecnologia
*Por Paulo Fainzilber
A pandemia ocasionada pelo novo coronavírus mexeu severamente com a
economia como um todo. O setor de varejo foi um dos primeiros a
sentir esse impacto com o distanciamento social e o fechamento de
lojas físicas. Os tradicionais sistemas de distribuição de bens de
consumo, mais especificamente no B2B, pelo qual o contato direto era
o caminho, precisou se reinventar. Afinal, o chão tremeu para todo
mundo.
A busca por novas formas de se relacionar com clientes e de entender
essa relação, já era uma demanda latente e começava a despontar
nas pautas da gestão de pequenas e médias empresas. O varejo,
principalmente no segmento de houseware, necessitava correr
para sair do atraso tecnológico. A pandemia tornou essas demandas
mais urgentes do que nunca. Passamos para um cenário no qual as
decisões estratégicas são tomadas às 9h e implementadas às 10h.
De repente não há mais contexto para planejamentos de longo prazo.
Tudo tem que ser decidido e feito imediatamente.
Um dos ganhos de tudo isso é a aceleração do processo de evolução
tecnológica provocada pela pandemia. Vimos que em momentos pré e
pós-apocalípticos as relações se fortalecem ou acabam de vez.
Essa dualidade precisa ser entendida de forma rápida e profunda.
Antes da pandemia, o consenso era atuar de forma diferente para sair
na frente. Havia demanda por inovação, mas no sentido de ter
diferenciais competitivos que pudessem aumentar a performance. Porém,
agora tudo mudou. Quem não encontrar alternativas para inovar e se
adaptar, morre. A questão passou a ser de sobrevivência e qualquer
relação com a Teoria da Evolução, de Charles Darwin, não é mera
coincidência. Sobrevivem aqueles que se adaptam melhor às mudanças.
Esse cenário que vivemos acelerou exponencialmente os processos de
melhoria do nosso segmento (houseware). Fomos obrigados a
ressignificar a relação com quem compra. Especialmente no que tange
o B2B, aquela pessoa ou empresa que antes era somente um cliente,
agora, está no mesmo patamar de sobrevivência que você. Tivemos de
entender o novo momento e também dar novo significado às parcerias.
Nesse sentido, a evolução tecnológica foi preponderante.
Precisamos nos alinhar às novas formas de nos relacionar com a outra
ponta. Não podíamos mais ter o corpo a corpo tão forte no segmento
de varejo. Precisamos correr contra o tempo para encontrar novas
formas de estabelecer pontos de contato. Criatividade, coragem e
inovação com olhar no futuro. Somando isso tudo: mostrar capacidade
de transformação e adaptação.
Entender as novas ferramentas à disposição para explorá-las ao
máximo foi fundamental. Criar ou implementar o CRM (Customer
Ralationship Management), dar opções a vendedores e compradores
para encurtar o contato com a empresa e com o portfólio são
exemplos de caminhos a serem trilhados. A inovação tecnológica se
tornou insumo essencial para a sobrevivência do negócio.
Um exemplo de solução que a Full Fit adotou foi a criação de um
showroom em 3D. Tal qual no formato físico, o uso da
realidade virtual permite aos clientes "andar" pelo showroom,
interagir com os produtos e fechar compras, do mesmo modo como fariam
presencialmente. Uma solução inovadora dentro de um segmento que
tem seu forte na participação em feiras e
eventos presenciais, além da venda por catálogo. Tecnologia
significa mudança, disrrupção. Em alguns casos, como o da Full
Fit, serve para criar um conceito absolutamente novo para,
justamente, proporcionar ao cliente uma experiência mais próxima
possível da que ele estava acostumado a desfrutar.
As quebras de barreiras culturais são um
grande desafio e parte determinante do sucesso de qualquer projeto
disrruptivo, pois não adianta apenas implementar a mudança. É
também necessário "educar" o público para usufrui-la.
Esse cenário, inundado de novas demandas e
funcionalidades possíveis, torna o mercado mais seletivo e se apoia
fortemente na comunicação, fazendo com que o relacionamento com o
cliente seja de fato ressignificado. Hoje, estamos sendo abordados de
formas também diferentes por nossos stakeholders.
Percebemos em toda a nossa volta novas abordagens e aprendemos com
elas em tempo real. A old school
no nosso negócio sempre funcionou muito bem - e ainda deve fazer
sentido por um bom tempo. Mas o mundo mudou.
O varejo (e o mundo) não será o mesmo depois que tudo isso passar
(e vai passar!). As novas tecnologias estão no nosso dia a dia. Elas
vieram para ficar. De um lado, a pandemia exigiu completa revisão
das relações sociais e econômicas. Por outro, fez as empresas se
mexerem para encarar esse novo normal que nos pegou desprevenidos e
que está nos ensinando lições tão desafiadoras quanto
fantásticas.
O fato é que a forma de entender e trabalhar a relação com o
cliente está mudando. Um marketing que lança foco relacional sobre
todo o processo da empresa é uma das tônicas do momento e, assim
como a internet em si, ele é irreversível.
03/11/2020
