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Créditos: Divulgação

Qual é o potencial do licenciamento e da cultura pop no marketing de alimentos?

*Por Thiago Campos, gerente de Marketing da Ajinomoto do Brasil


  Ao longo de mais de uma década de atuação, aprendi que marcas que conseguem estabelecer conexões emocionais consistentes com seus consumidores têm maior capacidade de se manter competitivas em um cenário cada vez mais dinâmico. Nesse contexto, o licenciamento de produtos no universo da cultura pop deixou de ser apenas uma ação tática e passou a ocupar um papel estratégico, especialmente quando falamos de engajamento com públicos mais jovens e digitalmente ativos.

 

  A experiência recente com a renovação da parceria entre AJI-NO-MOTO, o realçador de sabor da Ajinomoto do Brasil que proporciona o gosto umami às receitas, e o anime ONE PIECE, produzido pela Toei Animation, ilustra com clareza esse potencial. Ao conectar um produto tradicional a uma das séries mais relevantes da cultura geek global, conseguimos impulsionar as vendas, já que a marca teve crescimento superior a 40% no primeiro ano do licenciamento, e rejuvenescer o produto ao conectá-lo emocionalmente com novos consumidores. Essa collab foi um marco importante na história da marca, pois trouxe resultados inéditos e garantiu alta performance contínua, com crescimento sobre crescimento.


  Mas tudo isso é fruto de uma operação bem planejada, já que uma parceria só traz retorno real se houver uma sinergia entre produto e personagem. Assim, a mensagem flui de forma natural e os fãs endossam a iniciativa e, sem esse endosso, a estratégia dificilmente superaria as resistências do mercado. O Brasil, como um dos maiores mercados de anime do mundo, mostrou-se um terreno fértil para esse tipo de iniciativa, evidenciando como o entendimento profundo do comportamento cultural local pode ser determinante para o sucesso de ações dessa natureza.

 

  Mais do que números expressivos, o que uma estratégia bem executada revela é a força do apelo colecionável e da narrativa compartilhada. Embalagens temáticas deixam de ser apenas um “pacote” e passam a ser um ponto de contato emocional, estimulando a experimentação e, consequentemente, a recompra e o engajamento nas redes sociais. Quando o consumidor decide adquirir um produto motivado por afinidade com personagens ou histórias, ele estabelece uma relação que vai além do benefício funcional. Ao ocupar exatamente esse espaço, as marcas constroem uma diferenciação sustentável para seu negócio.

 

  Por fim, acredito que o futuro do marketing na indústria de alimentos é, inevitavelmente, a integração entre produto, entretenimento e experiência. O licenciamento, quando bem executado e alinhado ao propósito da marca, deixa de ser apenas um recurso de visibilidade para contribuir com o crescimento e a renovação do negócio. Em vez de simplesmente “surfar em tendências”, o foco está em construir pontes genuínas com o consumidor, transformando o ato de compra em uma experiência emocional e cultural relevante.

01/07/2026

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