Principais Pontos de Impacto para o Setor Financeiro no Pós-Pandemia
*Por
Mauro Inagaki
Nos últimos
meses, ocorreram mudanças profundas no cenário empresarial do país. Seja pela
necessidade de preencher lacunas ou impulsionar os resultados em um momento
adverso, o fato é que transformações estão sendo realizadas e muitas delas
buscam se adequar ao comportamento dos consumidores. Dentro do contexto
financeiro, essa afirmação também se faz válida na medida em que acompanha
novas regulamentações focadas em tecnologias disruptivas. O resultado é uma
combinação de acontecimentos que exigem por parte do empresariado uma abordagem
adaptativa quanto a demandas externas.
A vigência da
Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e a aplicação prática do PIX, novo
sistema de pagamento instantâneo do Banco Central, representam grandes exemplos
de como o mercado não permaneceu estático ante ao período de pandemia e
isolamento social enfrentado no Brasil e no mundo. O aumento na digitalização
de processos também é uma realidade que impacta, de forma relevante, a maneira
como os clientes se relacionam com as marcas e os próprios serviços
financeiros. Com esse plano de fundo extremamente complexo colocado à mesa, é
preciso discutir alguns tópicos preponderantes nesse sentido.
O brasileiro
está cada vez mais engajado com suas finanças
Entre as
consequências diretas da chegada do coronavírus e o sentimento de incerteza
sobre a economia brasileira, naturalmente, pôde-se evidenciar um aumento
considerável na preocupação dos brasileiros sobre o controle de suas finanças.
Essa condição se reflete na busca por meios de pagamento mais vantajosos e
flexíveis. Sob a perspectiva do mercado financeiro, existe uma sinalização
positiva e crescente entre os consumidores que estão inclinados à utilização de
serviços financeiros digitais e modelos de fintechs.
Sistemas de
pagamento manuais, como o uso de dinheiro vivo, sofreram uma influência pesada
pelo receio de contaminação do vírus. Isso se estende ao hábito do brasileiro
de ir ao ambiente físico do banco. Querendo ou não, essa mudança com caráter de
obrigatoriedade abre portas para a consolidação de uma mentalidade totalmente
inovadora em termos de adesão aos meios digitais. Hoje, olhando para o
pós-pandemia, a tendência é de que esses novos métodos financeiros se tornem
permanentes. A introdução do PIX é um ótimo referencial e ilustra um caminho
promissor.
Qual é o
papel do setor financeiro nesse cenário?
Diante todas
essas características de um perfil de consumidor atento ao que há de novo no
mercado de ferramentas financeiras, as instituições do segmento não poderiam se
manter alheias ao que está acontecendo no país. Além dessa grande parcela de
usuários inseridos no quadro de transformação digital, existem os que ainda
preferem empregar suas atividades bancárias de forma tradicional, criando uma
resistência que dificulta a tomada de decisão por parte das empresas
financeiras e fintechs. Por conta disso, mostra-se fundamental o
desenvolvimento de um planejamento estratégico flexível, capaz de suprir as exigências
de toda a população.
No entanto, um
requisito que não está aberto a variações é o compromisso com o consentimento
do cliente e a criação de vínculos orientados à transparência dos processos. A
tecnologia não se limita à mudança estrutural e o aprimoramento de aplicativos
inovadores, pelo contrário, ela também contribui para a disseminação de um
pensamento totalmente atualizado, pela ótica das empresas e também dos
consumidores, grandes beneficiados dessa evolução do mercado financeiro para o
pós-pandemia.
*Mauro Inagaki é Founder e CEO da b2finance.
