Por que o Saque no Varejo Veio Para Ficar
*PorAlexandre
Brito
O
saque no varejo é algo que veio para ficar. A pandemia do novo coronavírus
mostrou o quanto o dinheiro em espécie ainda é importante no Brasil. De
fevereiro a junho deste ano, o Papel-Moeda em Poder do Público (PMPP) deu um
salto de 29%, passando de R$ 210,2 bilhões para R$ 270,9 bilhões, o maior valor
da série histórica do Banco Central, iniciada em dezembro de 2001. É claro que
uma boa parte desse montante veio por meio de programas de auxílios do Governo.
Ainda assim, não se pode desconsiderar o elevado índice de desbancarizados no
País ou o difícil acesso que muitos brasileiros ainda enfrentam para sacar
dinheiro em bancos ou caixas eletrônicos.
É
importante destacar que o Banco Central vem se esforçando muito ultimamente a
fim de facilitar que o saque seja cada vez mais viável para todos os elos da
cadeia. Aliás, o BC está se destacando muito nos últimos anos pela forma como
tem lidado e impulsionado, consequentemente, a inovação no setor financeiro.
PIX e Open Banking são dois exemplos que demonstram esse trabalho. Mas é claro
que podemos ir além.
No
Reino Unido, por exemplo, uma proposta prevê que as pessoas possam sacar
dinheiro de suas contas nos caixas das lojas sem que elas sejam obrigadas a
comprar produto algum. Provavelmente, veremos mais iniciativas assim surgindo
ao redor do mundo de agora em diante. Mesmo com todo o processo de
digitalização, o dinheiro em espécie não deixará de existir e tende a ser a
principal moeda de troca das classes mais baixas por muito tempo.
À medida que a digitalização avança e a necessidade de ir ao banco
diminui, mais agências serão fechadas, deixando a população que vive mais
distante dos grandes centros com mais dificuldades para sacar dinheiro. O
problema é que cerca de 65% dos saques realizados em caixas eletrônicos entre
março e abril foram realizados pelas classes C e D. Entre 29% e 30% dos
brasileiros recebem seus pagamentos em dinheiro vivo. Essa parcela da população
não pode ser desassistida.
Com a popularização do saque no varejo, o mercado como um todo
ganha, gerando vantagens e redução de custos
tanto para clientes diretos como seus usuários finais, além de facilitar o
acesso ao dinheiro vivo. É possível que quem utiliza o serviço realize
saques com tarifas inferiores às demais taxas praticadas nos canais
tradicionais, enquanto varejistas e lojistas podem ampliar suas vendas atraindo
um número maior de pessoas para seus estabelecimentos.
Os lojistas e varejistas se beneficiarão ainda com a redução de custos e
aumento da segurança em suas lojas já que, como parte do dinheiro dos caixas
será sacado pelos consumidores, haverá menos demanda de contratação de
carros-fortes para transporte de valor. O manuseio com o dinheiro gera custo, e
o torna alvo de roubo. Consequentemente, quanto menos dinheiro tiver em caixa,
menor o risco de assaltos.
Aos poucos, o saque de dinheiro no varejo vai ganhando tração e vemos um ritmo
de interesse e adoção cada vez maior à medida que grandes redes começam a
adotar e os benefícios vão sendo expostos. Não há dúvidas de que é um modelo
onde todos ganham, é apenas uma questão de tempo para que essa iniciativa se
popularize e chegue para ficar.
*Alexandre
Brito é CEO da Hub Fintech.
