Pandemia Torna o Marketing do Varejo Mais Humanizado
*Por Grazielle Sbardelotto
Que
a pandemia certamente acelerou mais ainda o que já estava acontecendo no
varejo, de forma lenta e gradual, já não é mais nenhuma novidade. A
transformação digital deixou de ser importante e se tornou essencial e urgente.
Nos dois últimos anos, foi possível perceber as inúmeras inovações e mudanças
geradas pelo uso de tecnologia e o impacto que isso trouxe nos mais diversos
segmentos. Entre tantos impactos gerados pela COVID-19, vieram também
restrições e mudanças no comportamento dos clientes. Muitas delas vieram para
ficar, pois, de alguma forma, impactaram na experiência do consumidor, na
relação entre cliente e marca e na conexão entre mundo online e offline.
Há muitos pontos que ainda precisam ser melhorados nesse processo de
digitalização do varejo e um dos principais ativos é entender que, além dos
clientes, é preciso olhar também para os vendedores, uma vez que eles são
responsáveis por muito mais do que a venda em si. Com isso, as empresas
precisam pensar em ações que possam trazer o cliente final para a marca, ou
seja, empoderar o vendedor com uso de tecnologia, dados e estratégias de CRM
para a loja ressignificar a atuação dele no varejo. Isso é essencial para uma
real transformação do setor, gerando benefícios para os envolvidos.
E
por que é importante fazer com que o vendedor esteja integrado às estratégias
de marketing? Porque é a combinação de ambos de forma inteligente que gera uma
melhor experiência ao consumidor final. Juntos e por meio de tecnologias, dados
de Inteligência Artificial, automatizações e outras inúmeras ferramentas, é possível
ser assertivo, personalizado e humanizado na comunicação com o cliente e ainda
propiciar que isso seja feito pelo próprio vendedor.
É imprescindível conseguir mensurar os esforços dos vendedores
independentemente do canal de venda, seja online ou offline, uma vez que tudo
precisa estar conectado. Por exemplo,o last touch, modelo de atribuição que
fornece créditos aos cliques que precedem as vendas, ainda é usado pelo mundo
online e pelo marketing digital, mas não é mais suficiente para entender o comportamento
do consumidor sobre quais pontos de contato o incentivaram na conversão. E
atualmente, existem inúmeras tecnologias para estimular e proporcionar essa
revolução no varejo para todos os tipos, tamanhos e segmentos de negócios. E os
impactos dessa digitalização acelerada pela pandemia traz resultados positivos,
com usuários mais satisfeitos e com melhor experiência com a marca, além de
vendedores mais empoderados, com maior conhecimento sobre os clientes e
assertividade nos resultados.
Para as lojas físicas será possível observar que com a tecnologia certa é
plausível enxergar de forma rápida e expressiva os resultados em conversão e
vendas, além de redução de custos de aquisição e outros investimentos de
marketing. Mas não podermos deixar de lado que há também impactos negativos,
como a falta de humanização, pensando que clientes são pessoas e marcas são
funcionários, que também são pessoas, por isso é importante não robotizar a
comunicação.
A tecnologia servirá como aliada para proporcionar o melhor relacionamento com
o usuário, em escala e ainda assim de forma humanizada e é aí que está o
segredo, uma vez que o marketing é propulsor da transformação digital. Com
isso, é importante que se tenha um olhar no cliente e na marca de forma
unificada, considerando que esse indivíduo é o mesmo, independente do canal,
assim como a empresa, portanto todas as estratégias devem ser omnichannel
também.
E as empresas que vão sobreviver são aquelas que conseguem reconhecer e
entender os seus clientes mais do que eles conhecem a marca e até mais do que
eles mesmos se conhecem. Por isso, toda estratégia deve ser feita a partir do
consumidor final. A estratégia é mudar um pouco o caminho tradicional dessa
jornada. São os produtos e serviços que devem encontrar seus consumidores e não
o contrário. Isso fará toda a diferença no resultado final e na experiência
deles.
O futuro do varejo será mais integrado e isso inclui diversos pontos:
estratégias de marketing, apostar no omnichannel, melhorar a experiência dos
consumidores, empoderar os vendedores, dentre outras infinitas peças que
podemos unir nesse quebra-cabeça. Mas ainda falta o setor entender como
utilizar a transformação e a tecnologia em prol do cliente, colocando-o como
principal interessado e entender que canais online e offlines não são
concorrentes e sim parceiros para um futuro assertivo. Afinal, esse já é o novo
normal.
*Grazielle Sbardelotto ésócia e vice-presidente de Marketing Cloud da
Pmweb.
