Pandemia Antecipa Urgência do Uso de Tecnologias Sem Contato para Pagamentos
*Por Eduardo Cunha
Terminado
o ano de 2020 e agora com mais condições de avaliarmos alguns dos
impactos da pandemia de Covid-19, dados recentes nos confirmam a
aceleração que a pandemia causou em relação a alguns dos movimentos que
já estavam em curso na indústria de meios de pagamentos.
Considerando
especificamente o mercado brasileiro, o relatório mais recente
disponibilizado pela Associação Brasileira das Empresas de Cartões de
Crédito e Serviços (ABECs) nos mostra que as compras remotas com
cartões, envolvendo crédito, débito e
pré-pagos subiram mais de 30%. Já os pagamentos por aproximação, segundo
o mesmo relatório, cresceu durante 2020 o expressivo número de 469,6%,
chegando a movimentar R$ 41 bilhões.
Se observarmos
que os maiores riscos de contágio estão relacionados em estarmos
expostos ao contato físico, estes números atestam o crescimento pela
procura e a utilização de alternativas de pagamento que minimizam o
contato físico (contactless) que, além de reduzirem a exposição
às possibilidades de contaminação, trazem mais agilidade à experiência
de compra sem abrir mão da segurança.
Entre as alternativas para pagamentos contactless, temos desde os cartões físicos dotados da capacidade de pagamento por aproximação (NFC), digital wallets (carteiras digitais) em smartphones e até mesmo wearables (como relógios e pulseiras fitness).
Para corroborar o uso destas novas alternativas, segundo pesquisa
realizada pela Mastercard, 69% dos brasileiros entrevistados se disseram
incentivados pela pandemia a usar tecnologias sem contato através de
distintos dispositivos.
Olhando para o cenário global, o relatório CCS Insights 2019 Wearables Forecast estima que o mercado de tecnologias wearables atinja
260 milhões de unidades até 2023 e acredita-se que mais de 78% dos
terminais de venda do planeta terão capacidade para realizar pagamentos
por aproximação até o final de 2022.
Além
de diminuir o risco de contaminação, os pagamentos por aproximação
também são capazes de trazer uma nova experiência de compra, provendo
mais rapidez e conveniência (um só ato e o pagamento está feito),
tornando a jornada de compra do cliente mais fluída e permitindo que ele
deixe a carteira em casa (desde que ele não esqueça seu gadget preferido para fazer suas compras).
A
adoção de pagamentos por aproximação através de dispositivos representa
também uma nova oportunidade para bancos, varejistas e outros
constituintes do ecossistema de meios de pagamento alavancarem seus
processos de transformação digital, oferecendo aos seus consumidores
formas mais convenientes e ainda sim, muito seguras de realizar
pagamentos.
Para
estas entidades, existem plataformas de pagamento digitais completas
que garantem essa segurança através por exemplo do uso de tokens, que
permitem que as informações originais do cartão, sensíveis do ponto de
vista de segurança, sejam substituídas por um identificador único do
cartão. Neste processo, seja a carteira digital que recebe o token a
partir de um emissor, seja o comércio, nenhum dos dois realizam nenhum
tipo de armazenamento das informações do cartão "real" e sim, somente da
sua representação (token).
*Eduardo Cunha é CEO da HST,
empresa de tecnologia de informação para o ecossistema de
pagamentos.
07/05/2021
