O Varejo Nunca Mais Será o Mesmo
*Por Erick Buzzi
Ainda
sentiremos por muito tempo o impacto das mudanças globais que a pandemia
provocou na forma como compramos e vendemos. Para começar, duas novas palavras
já estão incorporadas ao cotidiano do varejo: contactless e frictionless. Em
bom português: sem contato e sem atrito. Não importa quanta tecnologia e
investimento sejam direcionados para promover essa experiência fluída que os
consumidores esperam, é o que temos a fazer.
Entres
as muitas incertezas que ainda nos aguardam, podemos trabalhar com a convicção
de que o crescimento das vendas on-line não é uma tendência temporária. Ele
sinaliza um comportamento que veio para ficar e pressiona o varejo a um
crescente movimento de aderência à transformação digital. O que significa
abraçar a tecnologia para oferecer aos clientes uma experiência de compras
muito mais avançada.
"A maior conclusão de 2020 é
a mudança para o comércio eletrônico; os consumidores adotaram as compras
on-line com vigor e os varejistas responderam com o lançamento rápido de novas
tecnologias",
diz a National Retail Federation.
Mas
as tendências deste ano não são definidas apenas pela adoção das novas
tecnologias. Quem aponta os rumos do futuro são os clientes. Eles assumiram
novos comportamentos de compras, exigindo também novas posturas das marcas em
sintonia com a cultura que emergiu do caos. A pandemia trouxe à tona o
consumismo consciente e as pessoas agora querem comprar menos e melhor. Elas
esperam que as marcas atuem em sintonia com seus valores e demonstrem
credenciais éticas e sustentáveis.
Ao
mesmo tempo, as pessoas também querem mais atenção, agilidade, transparência e
personalização em diferentes pontos de contato. Tanto para detectar as mudanças
culturais, como para atender às crescentes expectativas por mais facilidades na
jornada a resposta é investir em tecnologia. O grande problema é que as
organizações mais atrasadas na transformação digital vivenciaram uma grande
corrida contra o tempo para não perder mercado em 2020 e agora é o momento
chave de corrigir falhas e avançar ainda mais nesse processo.
"O bem-estar será
considerado uma necessidade, não um luxo. A pandemia levou os consumidores a
repensar como vivem, como trabalham, o que valorizam e o que desejam em sua
vida. Eles voltaram sua atenção para a saúde e o bem-estar e procurarão comprar
de marcas confiáveis que combinam tecnologia com significado para ajudá-los a
viver uma vida melhor e mais conectada", disse Mindy Grossman, CEO
da WW International.
Em
artigo na Forbes, o autor e futurista Bernard Marr comenta as tendências que
devem moldar 2021 e elas reforçam a importância da tecnologia para acompanhar a
jornada de compras nesse momento profundamente transformador para o varejo:
-
Omnichannel é um desafio que envolve a união de várias tendências, incluindo
IA, robótica, IoT e realidade estendida (XR) - que inclui realidade virtual e
aumentada (VR / AR).
- O
varejo de big data impulsionado por IA vem amadurecendo e os principais
varejistas contam com análises avançadas para entender o que deve ser estocado
nas lojas e aumentar a eficiência em logística, além de iniciativas voltadas
para o cliente, como chatbots e assistentes virtuais.
- A
tecnologia de reconhecimento de voz alimentada por IA foi aprimorada a ponto de
realmente poder ser usada para agregar valor tanto na loja quanto por meio de
aplicativos de e-commerce. Será usada cada vez mais para obter informações e
fazer compras e os varejistas irão adaptar sua infraestrutura para se adequar a
esses hábitos.
Se
tudo isso parecer futurista além da conta, pense que todas essas tecnologias já
estão disponíveis e são muitas as possibilidades de conexão entre elas para
promover iniciativas inovadoras. A pressão dos clientes e do mercado não vai
parar daqui para a frente. Essas previsões também se conectam com as tendências
apontadas pela National Retail Federation - NRF para os próximos meses:
-
Marcas com vendas diretas ao consumidor, flexionando os músculos da parceria e
explorando modelos para se diferenciar, verão crescimento e lucratividade
perturbadores. As marcas Direct To Consumer introduziram novas categorias e estão
injetando novas energias no aperfeiçoamento de seus objetivos de obsessão pelo
cliente.
- A
transformação da cadeia de suprimentos foi acelerada pela pandemia, alavancada
pelo 5G e sustentada por investimentos substanciais em soluções digitais.
- O
livestreaming será o centro das atenções, com potencial para ser uma das
categorias de crescimento mais rápido no ecossistema digital one-to-one. O
Interactive Advertising Bureau informou que as vendas geradas pela transmissão
ao vivo devem dobrar para US $ 120 bilhões em todo o mundo em 2021. Os
especialistas dizem que os compradores digitais querem mais do que apenas um
produto; eles querem sentir uma conexão com uma marca. Assim, um número
crescente de marcas está incorporando a transmissão ao vivo em sua estratégia.
-
Adoção de tecnologia robótica, robôs de entrega de comida e veículos autônomos.
Os robôs da loja devem coletar e processar dados de maneira precisa, repetida e
autônoma para resolver problemas de negócios. Os drones ainda têm o potencial
de tornar certas viagens obsoletas, conservar energia e contribuir para
práticas mais sustentáveis.
-
"Evolução" é a palavra para shopping centers. Os compradores voltarão
após a pandemia, mas os shoppings precisam ser reinventados com ambientes
menores e mais atraentes.
- A
tecnologia touchfree se tornará a tendência. As compras digitais dispararam, os
pagamentos sem contato rapidamente se tornaram a norma e a realidade aumentada
estão prontas para crescer.
-
Social Commerce tem potencial para crescer mais rápido que o comércio
eletrônico geral. A ideia de varejistas e marcas criarem experiências de compra
por meio das mídias sociais decolou. Seu poder de permanência é inegável por
várias razões, incluindo os sentimentos exclusivos que essas oportunidades
criam, a chance de construir a intenção de compra e o processo de pagamento sem
atrito que dá um novo significado à palavra "perfeito". A Technavio
informou recentemente que o mercado global de Social Commerce deve crescer US $
2.051 bilhões durante 2020-2024, progredindo a uma taxa composta de crescimento
anual de quase 31 por cento. Quem está liderando o ataque? Facebook, Instagram,
Twitch, TikTok, Pinterest e Spotify.
- A
fabricação On-demand permite que as marcas respondam mais rapidamente às mudanças
na demanda dos clientes, criem produtos conforme os pedidos são colocados e
mantenham quantidades mínimas de estoque.
-
Procurar maneiras de monetizar os dados do cliente é a aposta para os
varejistas; o desafio é fazer isso em um verdadeiro ecossistema omnichannel. As
empresas que acertarem serão onipresentes para os compradores - conectando-se
on-line, em lojas e por meio do comércio social e garantindo que cada ponto de
contato seja sem atrito. Um facilitador fundamental de todas as coisas digitais
é o 5G. Os consumidores não podem se dar ao luxo de serem desconectados, então
nem é preciso dizer que as empresas também não.
-
Os clientes querem opções de pagamento em cada etapa da jornada. O modelo de
pagar por itens na íntegra está desaparecendo à medida que a próxima geração de
compradores adota modelos e assinaturas de pagamento complementar.
-
As marcas enfrentam novas regulamentações de privacidade que exigem
investimentos em plataformas de dados de clientes. Enquanto os varejistas
buscam o próximo Santo Graal da segmentação, procure aqueles que têm bancos de
dados gigantes e / ou parcerias para vencer.
Avaliando
as trends que foram identificadas nesse artigo penso que a pandemia apenas
acelerou todos esses movimentos, sejam eles culturais ou de digitalização,
trazendo rapidamente à tona tudo o que já era esperado em um processo natural
de evolução. Mas ainda temos um intenso trabalho de adaptação das organizações
que correm para se unir em ecossistemas digitais mais avançados porque não há
mais tempo a perder.
Com
tantas mudanças em curso, o futuro pode ser imprevisível. Cada vez mais vamos
ter o uso intenso da tecnologia para aperfeiçoar a experiência de compras em
uma jornada que se tornou mais complexa. Com o cliente no centro de todas as
iniciativas, o objetivo agora é corresponder aos seus novos níveis de
consciência e às crescentes demandas por experiências fluídas. Esse é o mix que
vai definir quem pode superar os desafios à frente e sair fortalecido para as
próximas ondas que virão.
*Erick Buzzi é VP de
vendas e marketing da VTEX.
