O varejo físico não apenas resiste, mas retoma com firmeza sua posição de destaque
*Por Andrei Dias, Head de Vendas da Nexaas
Reflexo direto da economia, o varejo está passando por
transformações significativas, marcando uma recuperação impulsionada pela
melhora do poder de compra, renda e redução de juros. As vendas devem
apresentar uma alta real de 2% em 2023, como aponta a Confederação Nacional do
Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), e o primeiro bimestre viu um saldo
positivo na abertura de lojas, somando 27,6 mil novos pontos, tanto físicos
quanto digitais, indicando a movimentação positiva no setor.
No Brasil, as empresas de comércio comemoram o aumento de
clientes, destacando que as visitas nas lojas físicas cresceram
significativamente. O mapeamento de fluxo realizado pela Sociedade Brasileira
de Consumo (SBVC) revela um aumento de 3% na movimentação de lojas físicas em
junho deste ano, em comparação com o mesmo período do ano anterior. Ou seja,
tanto os lojistas de rua quanto os de shopping estão experimentando taxas de
crescimento notáveis.
Mesmo diante do avanço incontestável do online desde 2020, o
varejo físico não apenas resiste, mas retoma com firmeza sua posição de
destaque.
Os números globais de 2022, que registram receita colossal de US$ 28,8 trilhões
no varejo, destacam uma realidade surpreendente: apenas 19,8% desse montante
têm origem no e-commerce. Se restringirmos o olhar ao Brasil, as vendas online
representaram apenas 10% do faturamento total do setor, apontando a resiliência
das vendas físicas.
No centro dessas transformações está a necessidade de integração
entre o varejo físico e digital, uma sinfonia que ressoa nas estratégias de
gigantes como a Americanas. Após um período dedicado ao online, a empresa
anunciou que colocará as lojas físicas no centro do palco. A orquestração
inclui a organização das lojas em grupos e produtos mais acessíveis, visando
atrair os clientes fiéis.
Além-fronteiras, as relações entre marcas e consumidores estão
forjando um novo futuro para o segmento. O empoderamento das multidões, ou
"crowd empowerment", é a nova melodia, onde cada pessoa com um
smartphone pode contribuir e ser aplaudida. A Lego, por exemplo, transforma
sugestões de peças feitas pelos clientes em produtos reais, um verdadeiro coro
de colaboração.
Deparamo-nos, ainda, com o desafio de estabelecer vínculos com a
Geração Z, que cresceu com o digital, mas mesmo assim nutre um apreço
inegociável pela experiência física. Esse entrelaçamento dá vida ao conceito da
"economia da dopamina", onde as marcas competem para cativar não
apenas pela qualidade dos produtos, mas pelas experiências sensoriais.
Nesse cenário, o chamado Omni PDX emerge como uma
necessidade vital. Ele é o ponto de venda que deixou de ser um mero local de
transação; tornou-se um encontro, uma experiência completa. Nele, soluções,
operação e relacionamento se encontram pensados especialmente na experiência do
cliente, foco principal do mercado.
Concluindo essa sinfonia em ascensão, o renascimento do varejo físico
transcende a mera constatação; é, na verdade, a declaração de uma necessidade
estratégica atual. A harmonia entre o mundo físico e digital, conjuntamente com
uma abordagem omnichannel, é a melodia que reverbera, de certa forma, juntos
aos desejos dos consumidores, cada vez mais empoderados e conectados.
