Futuro das PMEs: Tendências para Ficar de Olho em 2022
*Por
Fernando Pantaleão
Em
2022, podemos ter uma visão mais clara do que está por vir em termos de
mercado, mudanças nos hábitos dos consumidores e ecossistema de pagamentos.
Claro, como aprendemos no passado recente, tudo pode se transformar de uma hora
para outra e precisamos estar preparados. Mas algumas práticas e caminhos
começam a se desenhar de forma mais nítida.
Vislumbramos
um cenário novo que afeta diretamente a saúde financeira das empresas,
sobretudo dos pequenos negócios. Por isso, meu objetivo com este artigo é desvendar
um pouco do que vejo como possíveis tendências para este ano a fim de ajudar as
PMEs a identificar oportunidades num futuro bem próximo, seja na ampliação de
parcerias, aceitação de novos meios de pagamento, maximização das vendas,
otimização do fluxo de caixa...
Experiência multicanal é questão de sobrevivência
Não podemos mais pensar no
consumidor como a pessoa que só compra on-line ou prefere ir até a loja física
para adquirir seu produto. Eles estão por toda parte, cada vez mais transitando
por diversos canais, inclusive iniciando a jornada de compra por uma porta de
entrada e terminando em outra. É o caso, por exemplo, das compras digitais com
retirada em loja. Oferecer uma experiência de pagamento fluida, omnichannel,
segura e simples tem impacto direto nos resultados de seu negócio.
Não dá para ignorar que os hábitos de consumo se transformaram nos
últimos anos. Umestudo da Visa mostra que o percentual de
consumidores brasileiros que preferem canais de compras digitais cresceu mais
de 30% desde o início da pandemia. O mesmo levantamento constatou um aumento de
36% nas compras por celular no país. Ou seja, esteja onde o seu cliente estiver.
Novas gerações, novos propósitos
A preocupação dos novos
consumidores, sobretudo a geração Z, vai muito além de critérios como preço e
satisfação imediata por um item adquirido. Temos visto um movimento grande do
mercado, com olhares atentos de investidores, da sociedade e de governantes, em
direção a temas relacionados a ESG. Grandes marcas têm avançado nessa direção,
colocando na equação os impactos de produção gerados e os benefícios para a
população, em um cenário que afeta também os pequenos e médios negócios.
Trata-se, na verdade, de uma oportunidade. Durante a pandemia,
muita gente fez questão de comprar localmente e apoiar pequenos produtores e
empreendedores. Pessoas que preferem artigos desenvolvidos de forma artesanal
por marcas independentes. Um levantamento feito pela
McKinsey mostra que um em cada quatro consumidores planeja focar mais na
consciência ambiental e impactos sociais em suas decisões de compra.
Pagamentos mais fluidos
O desafio de tornar a
experiência de pagamento praticamente "invisível" é uma peça-chave daqui pra
frente: que seja rápida, sem fricção, conveniente e, principalmente, segura. Com
as empresas mais presentes no ambiente digital, houve um crescimento do
e-commerce nos últimos anos, assim como em modalidades como pagamento por
aproximação, por exemplo.
Tomando um panorama da América Latina, que inclui o Brasil, uma de
nossas pesquisas nos mostra que 80% das empresas que
começaram a aceitar pagamentos digitais desde o início da pandemia eram de
porte pequeno ou médio. E não tenho dúvidas de que, ao perceberem as vantagens
de adotar esse tipo de pagamento, elas continuarão com a mesma prática mesmo
depois do período turbulento pelo qual estamos passando.
De olho nos benefícios do Open Banking
O ecossistema financeiro do
país está passando por uma transformação importante que pode gerar grandes
oportunidades para diversos players. Em sua terceira fase de
implementação, o Open Banking é um mecanismo que permite o compartilhamento de
dados e informações de usuários, com sua autorização prévia e dentro dos
parâmetros da Lei Geral de Proteção de Dados, entre diferentes instituições
autorizadas pelo Banco Central.
Com isso, é possível movimentar dados do consumidor a partir de
diferentes plataformas. Na prática, o consumidor e empresas terão mais
autonomia e liberdade de escolha, além do acesso a produtos e serviços mais
inovadores e customizados. Posso trazer como exemplo recente uma plataforma que
desenvolvemos com um parceiro de gerenciamento
de fluxos de caixa, voltada especialmente para apoiar as pequenas e médias
empresas na administração de seus negócios. Trata-se de uma solução white
label que será comercializada para instituições financeiras com o
objetivo de apoiá-los na oferta de produtos e serviços customizáveis para seus
clientes.
Novas tecnologias e um "novo jeito de fazer as coisas" estão acelerando mudanças significativas no
ecossistema financeiro, com impactos que podem ser determinantes para o seu
negócio. Espero que este artigo tenha contribuído para apontar alguns caminhos
que considero relevantes para um futuro cada vez menos distante e mais
dinâmico.
*Fernando Pantaleão é VP de Vendas e Soluções da Visa do Brasil
