Crédito, Débito ou Pix?
*Por Denis Piovezan
Praticamente
quatro meses se passaram desde a estreia do Pix. Aos poucos, a novidade foi
ganhando o espaço prometido: substituir DOC ou TED na transferência de valores
entre pessoas físicas. Segundo informações divulgadas pelo Banco Central, o
número de transações do novo serviço instantâneo em janeiro superou a marca dos
200 milhões e ultrapassou as transferências realizadas pelos modelos
tradicionais. Com essa fase relativamente consolidada, os debates se concentram
em entender o porquê a adesão no varejo não foi tão forte nesse mesmo período.
Para fazer o Pix ser
realidade nas compras, são necessárias duas frentes de atuação neste momento:
educar o varejista e engajar o consumidor. Para a primeira, o setor já começa a
se movimentar. Workshops, lives com especialistas e criação de conteúdo
unem forças ao surgimento de novas soluções para integrar o Pix de forma
simples e eficiente nos PDVs e e-commerces. Nos últimos meses, vimos
surgir novas soluções na indústria e atualizações de ferramentas para colocar o
Pix no QR Code e no link de pagamento, entre outros, e fazer a conciliação dos
recebíveis em uma plataforma única para o varejista. Toda inovação é pensada
para simplificar a vida do comerciante, que não pode enxergar no Pix um gargalo
para a gestão do seu negócio.
Oferecer o Pix é mandatório
para atrair o cliente cada vez mais exigente em relação à experiência de
compra, proporcionando mais facilidade, versatilidade e agilidade. Há tempos se
entende a importância de oferecer o maior leque de formas de pagamentos
possível, pois isso pode definir a compra, ou não, do cliente na loja. Da base
de clientes da Linx Pay Hub, fintech da Linx, líder em tecnologias para o
varejo, cerca de 15% a 20% dos clientes já fizeram a integração para o Pix em
suas plataformas. Para esses, o ticket médio de transações da modalidade é em
torno de R$78, indicando que os consumidores estão dispostos a utilizar a
ferramenta mesmo em compras com valores um pouco mais altos.
Do outro lado do balcão, a
segunda frente é olhar para o consumidor, criando um ecossistema em torno do
Pix que o torne realmente mais vantajoso para as compras. Já provamos que o
brasileiro se engaja quando vê benefícios - a instantaneidade e isenção de
taxas cobradas para as transferências entre bancos foi um acelerador para o
sucesso do Pix na substituição de DOC e TED.
A verdade é que o Pix vai
precisar de um estímulo intenso para competir com os meios de pagamentos já
consolidados. Hoje, as bandeiras de cartões de crédito e as carteiras digitais
oferecem uma série de benefícios para quem opta por eles, com descontos
especiais, isenção na compra de ingressos, acesso a espaços VIPs, cashback,
programa de milhas e muitos outros. Os planos de benefícios e fidelidade são
extensos e muito populares.
Para posicionar o Pix nessa
briga, a missão deve ficar por conta dos bancos e fintechs, que, agora,
protagonizam o centro dessas transações, sem a necessidade de adquirentes e
bandeiras na jogada. Criar programas de incentivo e uma experiência fluída para
fomentar o uso do Pix será determinante para essa nova modalidade de pagamento
se consolidar no varejo.
A chegada do Pix no setor
varejista é apenas uma questão de tempo - o comerciante está em uma jornada de
implementação gradual. Mas, é preciso agilidade para atrair o consumidor e
fazer com que a pergunta na hora do pagamento seja, finalmente, "crédito,
débito ou Pix?".
*Denis Piovezan éVP da Linx Pay Hub.
