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Como Driblar a Vacância nos Shoppings Centers

*Por Leonardo Hermeto da Costa Mendes

Estamos em um momento em que os shoppings registram um grande aumento de vacância, causada principalmente pelo isolamento social. Em números, a taxa dobrou de 2019 para 2020, passando de 4,7% para 9,3%, conforme informações divulgadas pela Associação Brasileira de Shopping Centers (Abrasce).

Esse cenário é fácil de entender, levando em consideração que estamos no meio de uma pandemia, e mesmo que haja pouquíssimas chances de novos fechamentos do comércio, o fluxo de consumidores nos shoppings caiu em cerca de 20% em média, se considerarmos o período pré-COVID-19.

Entre as mais recorrentes dificuldades encontradas atualmente para se manterem os níveis de ocupação das lojas, destaco:
- Novas locações;
- Manter contratos que estão encerrando;
- Manter lojistas que possuem contratos vigentes e não conseguem arcar com os compromissos com o shopping.

Todos os três pontos estão diretamente relacionados à diminuição da circulação de pessoas, que consequentemente traz a redução das vendas por parte dos lojistas. Mas, para contornar essa situação é importante que o comércio busque alternativas que minimizem os impactos negativos resultantes da crise sanitária e das medidas de controle do coronavírus. Entre as mais efetivas, vale ressaltar:
- Negociação das condições com os lojistas;
- Orientação e incentivo das vendas online, principalmente para os lojistas de pequeno porte que talvez ainda não tenham o domínio necessário para trabalhar com o e-commerce;
- Promover educação e apoio constante aos lojistas, buscando ajudá-los a identificar gargalos e implementar novas formas de operar seus negócios;
- Trabalhar a divulgação do shopping e das lojas nas mídias sociais;
- Promover eventos e promoções (sempre pensando nos cuidados necessários com a pandemia para evitar aglomerações).

O fato é que, ainda que no início os consumidores tenham sido "forçados" a comprar virtualmente, hoje em dia o consumo online tem se tornado cada vez mais comum. Agora, adquirimos produtos desde eletrodomésticos à medicamentos sem a necessidade de sair de casa, com apenas alguns cliques. E com vantagens diferenciadas, como o menor tempo de entrega proporcionado pela evolução das plataformas de delivery.

É importante adaptar-se a essa nova realidade e pensar nas possíveis maneiras que o shopping poderá inovar e se posicionar para aumentar o interesse do público em ir até o local para efetuar uma compra ou viver uma experiência inédita que substitua ou possa agregar à comodidade do ambiente online.

Reabertura dos Shoppings
A reabertura dos shoppings em todos os recantos do país pode ser vista como um passo para a recuperação do setor, mas tem trazido diversos desafios para as administrações. Com os clientes mais acostumados com as lojas virtuais, existe uma incerteza sobre quando, e se, a circulação das pessoas nos shoppings voltará aos níveis do passado. Esta incerteza pode retardar a decisão dos varejistas a se tornarem novos locatários.

Com isso, eles precisam cada vez mais se reinventar na busca por opções que possam fazer com que o consumidor esteja inclinado a ir ao ambiente, e ainda assim mesclar com as vendas do e-commerce.

Algumas das ações que estão em pauta para retomar o fluxo são:
- Armários Inteligentes - a compra híbrida, em que os consumidores compram online e retiram os produtos nos shoppings é uma das tendências, e estes dispositivos permitem o acesso às mercadorias sem contato humano e de forma mais rápida;
- Serviços - Outro ponto que está em alta é aumentar a quantidade de opções de serviços nos shoppings (alteração do tenant mix), como clínicas, reparos gerais, escolas, academias etc;
- Atrações de Lazer - mesmo que ainda não seja possível a realização de determinados eventos, os empreendimentos devem atrair os consumidores com eventos constantes, e também com espaços agradáveis de convivência (ao ar livre quando possível), como locais dedicados aos pets e às crianças, por exemplo. Aliar lazer e consumo é uma estratégia bastante poderosa;
- Programas de fidelidade - crédito de pontuações mais generosas para atividades dentro do shopping, desde compra offline ou ações que tenham um propósito específico, como o descarte de lixo eletrônico, podem incentivar consumidores a frequentar o shopping com mais assiduidade.

A ideia central agora é a integração entre os meios físico e digital, controlando simultaneamente os vários canais entre os consumidores e os lojistas. Os shoppings têm papel determinante no varejo, e especialmente no Brasil, por questões culturais e de segurança, continuarão a ter. Os centros comerciais precisam então se adaptar rapidamente à nova realidade, e mostrar para os lojistas que podem ser excelentes aliados também nessa adaptação ao digital. Este movimento irá apoiar muitíssimo nas vendas de espaços locatícios e manutenções dos contratos atuais, reduzindo a vacância.

*Leonardo Hermeto da Costa Mendes éHead da unidade de negócio shopping da Group Software.

16/08/2021
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