Como as Empresas Brasileiras Estão Se Preparando Para Combater Fraudes
*Por Maria Isabel Noronha.
O
ecossistema de comércio digital no Brasil teve um avanço notável nos últimos
meses, com a entrada de consumidores no mundo virtual e uma mudança profunda
nos hábitos de consumo dos brasileiros. Muitos compraram em canais digitais
pela primeira vez, passaram a usar novos meios de pagamento, como pagamento por
aproximação e transferências em tempo real, e se mantiveram afastados das lojas
físicas.
Em
resposta a esse movimento, os estabelecimentos comerciais tiveram - e continuam
tendo - que inovar para atender às preferências e comportamentos do consumidor,
investindo em soluções para manter e crescer o negócio em tempos de crise
econômica.
O
efeito contrário desse movimento, no entanto, é o aumento dos ataques de
fraudadores no mundo virtual. Aproveitando-se de vulnerabilidades em muitos
ecommerces, realizam roubos de contas e dados e aplicam golpes cada vez mais
elaborados. A segurança das transações, que sempre foi uma preocupação para
quem compra e para quem vende, tem se tornado um elemento ainda mais
fundamental.
E
como os estabelecimentos comerciais estão se preparando para combater essas
ameaças?
Foi
exatamente o que analisou uma pesquisa da Cybersource, empresa da Visa
especializada em gerenciamento de pagamentos digitais, em parceria com o
E-Commerce Brasil, realizada com empresas brasileiras de diversos portes e
segmentos (varejo, bens físicos e digitais, serviços, viagem e entretenimento)
nos meses de maio e junho deste ano.
A
preocupação com as fraudes ficou evidente. Do total de empresas entrevistadas,
77% afirmaram que sofreram ataques no último ano. Dentre os atributos que as
empresas julgam ser mais eficientes no combate a fraudes, desponta, em primeiro
lugar, com 46%, a análise do dispositivo utilizado na compra. O dispositivo,
que pode ser o computador ou o smartphone, contém informações úteis para o
antifraude, relacionadas a geolocalização, configurações do aparelho, histórico
de uso. Ou seja, a análise de dispositivos viabiliza uma análise mais precisa
do comportamento de uma pessoa em um site ou app. E, com esta variável,
torna-se possível separar bons clientes dos fraudadores. Em seguida na
pesquisa, aparecem a análise do comportamento do cliente e a autenticação de
dois fatores por telefone.
Quando
olhamos para os níveis de chargeback (índice de contestações por parte
do comprador, de compra realizada com seu cartão de crédito) por fraude nas
empresas consultadas, constatamos que eles ainda representam perdas financeiras
significativas para o negócio: 54% afirmaram que seus índices atualmente
alcançam até 0,5%; outros 43% dos consultados dizem que variam entre 0,5 e 1%.
Reduzir esses indicadores é um dos principais desafios de empresas com forte
presença no comércio digital.
Como
medida de proteção eficaz para seus negócios, 77% das empresas afirmaram que
fazem uso de soluções antifraude de terceiros para se protegerem de ataques. O
que chama a atenção é quando olhamos separadamente o comportamento das
microempresas que participaram da pesquisa. Das empresas pesquisadas, as que
não utilizam nenhuma solução antifraude são microempresas, apesar de 60% delas
já contarem com ferramentas antifraude de terceiros. Isso reforça a percepção
de que esses pequenos estabelecimentos comerciais entraram no mundo online
muito rapidamente durante a pandemia, mas não estavam necessariamente
preparados para lidar com essas ameaças.
É
importante destacar que as soluções de gerenciamento de fraudes de terceiros
agregam componentes de machine learning à inteligência e conhecimento de
mercado para aprovar cada vez mais transações boas, barrando as transações
suspeitas. Essa análise mais acurada é capaz de melhorar os índices de
aprovação, aumentando cada vez mais as receitas do negócio.
Quando
perguntadas quais as três principais áreas de melhoria para o próximo ano, 74%
das empresas pesquisadas apontaram que devem melhorar suas análises de fraude,
37% apontaram querer melhorar os processos de disputas, enquanto 49% do total
respondeu que buscam melhorar suas taxas de aprovação de pedidos. O equilíbrio
entre aceitar mais transações e barrar fraudes, nem sempre é simples. Por isso,
soluções de gestão de fraudes devem entregar dados e insights suficientes para
uma decisão mais assertiva.
Pode-se
concluir também pela pesquisa que uma predisposição das empresas em atualizar
suas estratégias de prevenção de fraude para operar num comércio omnichannel
que se tornou realidade no Brasil, oferecendo uma experiência ao usuário fluida
e segura.
A
maioria dos entrevistados (60%) acredita que o e-commerce continuará ganhando
importância em seus negócios. É um caminho que não deve ter volta! Cabe às
empresas se prepararem para um mundo cada vez mais digital.
*Maria Isabel Noronha é diretora da Cybersource.
