Cinco Erros Para Evitar Na Hora Que Abrir o Próprio E-commerce
*Por Dener Lippert
Durante o ano
de 2020 percebemos a necessidade de digitalizar o próprio negócio e começar e
vender no online. De acordo com pesquisa da Criteo, 56% dos consumidores
brasileiros afirmaram que compraram um produto no e-commerce pela primeira vez
entre abril e dezembro de 2020, e 94% pretendem continuar comprando nas lojas
online. Porém, é comum cometer erros durante esse processo de transformação da
sua loja e, por isso, vou listar os cinco equívocos que mais vejo na construção
de um novo e-commerce.
1) Nicho de mercado
O Mercado de
e-commerce no Brasil é extremamente competitivo, com margens baixas e operações
complexas. Portanto, a primeira grande decisão que você terá que tomar caso
queira iniciar no digital é o nicho no qual você fará parte. Dependendo do
segmento que você ingressar, poderá enfrentar barreiras de entradas mais altas,
mas caso opte por determinados setores, isso poderá favorecer a sua operação.
Para dar um
exemplo, vamos supor que você entre no mercado de moda, é um setor com alta
concorrência e que não tem uma diferenciação de produtos. Como marinheiro de
primeira viagem você pode se dar muito mal. Mas, caso opte pelo segmento de
iluminação, área ainda arcaica e que precisa de inovação, isso o torna atrativo
para se fazer negócios.
Temos que
entender que apesar do e-commerce ter crescido exponencialmente durante a atual
crise, ele ainda representa apenas 5% do varejo no país, contra 15% se
comparado ao mercado norte-americano. Como citei acima o segmento de moda, e
que não tem diferenciação de produto, o ponto determinante aqui passa a ser a
loja física.
Já no exemplo
do e-commerce de iluminação, ou mesmo de materiais elétricos, o fator aqui é o
de dar acesso a um produto que, em muitos lugares, o consumidor não teria uma
loja física, principalmente em regiões mais afastadas. Por isso, a escolha do
nicho respeita a lógica por trás do site online.
2) Preço competitivo
O segundo
erro muito repetido é a precificação. Vamos supor que você passe a vender
equipamentos médicos hospitalares, uma vez que o e-commerce é todo mundo na
mesma avenida, você terá que oferecer preço. Diferentemente do físico que você
pode escolher um ticket maior naquele ponto exclusivo, que o cliente irá
aceitar, no digital não, pois você está lado a lado com seus principais
concorrentes.
A menos que
seu produto tenha uma grande diferenciação, e na maioria das vezes isso não
ocorre, a competitividade se dará pelo valor. Existem também outras
alternativas de ofertas, o que não necessariamente impacta no preço, mas
transforma a experiência de compra.
3) Operação de logística
A maior parte
das vendas no e-commerce concentram seu potencial na região sudeste, por isso,
caso você não tenha uma operação em São Paulo, Rio de Janeiro ou Minas Gerais,
possivelmente terá um preço de frete muito alto, um timing para entrega mais
extenso, diminuindo ainda mais seu poder de competitividade.
Caso seu CD
ou sua loja fique em outra região (sul, centro-oeste, norte, nordeste),
aconselho você focar na sua loja física, estruturar e fortalecer seu ponto de
venda, e quando você estiver aumentando o seu alcance, aí sim chegou o momento
de iniciar no e-commerce.
4) Explorar marketplaces
É fundamental
você usar grandes marcas como Amazon, Magalu, Mercado Livre, B2W entre outras,
como teste para avaliar se seu produto tem uma boa penetração e competitividade
no mercado, uma vez que esses sites já possuem um grande tráfego de usuários,
sem o ônus de você ter que investir mídia - que é o que você terá que fazer
caso monte seu próprio site.
Apesar de o
pequeno varejista "ficar na mão" do marketplace, pois o custo por
aquisição de cliente (CAC) é maior, você tem a vantagem de pagar a taxa apenas
quando a venda for concluída. Além disso, dentro do mix de opções que você
poderá ser parceiro, é importante avaliar mensalmente qual está te dando mais
retorno, e remover sua conta dos marketplaces que estão gerando pouco
resultado.
5) Produção de conteúdo
O último erro
que quero destacar é a falta de produção de conteúdo para e-commerce. Quem não
produz, uma das consequências é a falta de conversão, pois as pessoas não vão
entender o que é o seu produto, e eu estou falando de coisas básicas como a
foto ou o vídeo de uma determinada mercadoria. A Kabum, pra citar um exemplo,
produz muito conteúdo e investe em influenciadores para agregar valor.
É muito comum as lojas negligenciarem a produção de conteúdo por acharem
que não vale a pena o esforço e dedicação, já que, na visão de alguns, o
e-commerce se beneficia de estratégias de marketing direto. Lembre-se que, no
online, você está na mesma rua que todos os seus concorrentes, então qualquer
diferencial para chamar a atenção do cliente já o colocará na frente de quem
não faz.
*Dener Lippert éCEO e fundador da V4 Company.
