Cidades de Pequeno e Médio Porte São Pontos Estratégicos Para o Setor de Shopping Centers
* Por Mauricio Romiti
Em meio à imensidão dos prédios e ruas movimentadas, as maiores
cidades brasileiras estão lotadas de shoppings dos mais diversos tipos:
empreendimentos de grandes redes nacionais, pequenos centros locais, galerias.
Enquanto as capitais têm estrutura e público para esse tipo de investimento,
será que ainda há espaço para inovar com shopping centers em cidades do porte
de São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Belo Horizonte?
Talvez sim, mas isso não quer dizer que devemos fechar os olhos
para as regiões interioranas, que contam com cidades de pequeno e médio porte
que vivem um momento de expansão. Com menor custo de vida e bons índices de
segurança, os municípios menores estão atraindo famílias que buscam uma vida
mais pacata, longe da confusão das capitais. Além disso, esses locais possuem
um enorme potencial de crescimento em diversos setores, do comércio à
indústria.
A instalação de um shopping center em cidades pequenas traz
inúmeros benefícios à economia da região: além da geração de empregos - um
único shopping costuma empregar algumas centenas de pessoas -, traz também
novas opções de alimentação e entretenimento. Com esse movimento de
interiorização, o setor de shopping centers se beneficia como um todo,
crescendo para dentro dos estados, em direção à população que ainda não tem
acesso diário a esse tipo de empreendimento.
As capitais estão saturadas, e é necessário que os shoppings se
adaptem aos novos perfis de consumidores. No entanto, é preciso ter parcimônia:
nem toda cidade está preparada para receber um shopping. Antes de investir, um
passo importante é analisar e identificar os pólos mais estruturados, que
tenham maior circulação de pessoas, potencial de compra e que possam se
beneficiar de um centro de compras. Um fator determinante é a escolha da
localização: shopping centers precisam ser pontos acessíveis, que ofereçam
facilidade de acesso à pé e por outros modais, integrados à estrutura urbana da
cidade. A combinação entre boa localização e uma cidade com potencial é o que
define a viabilidade de um empreendimento em municípios menores.
Além disso, é muito provável que um centro comercial de uma cidade
pequena ou média seja muito diferente de um encontrado, por exemplo, na Avenida
Paulista. Não necessariamente encontraremos as mesmas lojas, mas, se o shopping
se adaptar às necessidades de seu público, não há razão para que o
empreendimento não seja estável. E esse é o princípio do shopping: atender às
demandas das pessoas que o frequentam, com opções de compras, serviços,
alimentação e lazer.
Nesse momento em que o Brasil vive uma retomada no crescimento
econômico, a tendência é que o setor de shopping centers volte a aquecer. Que
tal olharmos com mais atenção para os centros de médio e pequeno porte?
*Mauricio Romiti é diretor administrativo e financeiro da Nassau
Empreendimentos.
