Blockchain, a Tecnologia por Trás das Criptomoedas, Já é o Futuro dos Meios de Pagamento
* Por Fernando Barrueco
Se
hoje o Blockchain já é a estrutura para pagamentos peer-to-peer utilizada por
42 milhões de pessoas, Fernando Barrueco, CEO da Bolsa de Moedas Virtuais e
Empresariais de São Paulo (Bomesp), indica que o método tende a crescer
exponencialmente, a partir de 2020. "Muito em breve, bilhões de pessoas em todo
o mundo usarão essa tecnologia de maneira tão corriqueira quanto um cartão de
crédito, pagando de compras a corridas de táxi", afirma o CEO.
Segundo
Barrueco, a trajetória do próprio Blockchain reforça essa possibilidade, saindo
da explosão inovadora e do hype inicial para chegar à maturidade e
democratização da tecnologia. "Quando atingirem este ponto, as empresas
contarão com informações registradas no Blockchain de forma extremamente segura
e inviolável", diz ele.
O
mercado financeiro começa a se movimentar nesse sentido, inclusive no Brasil. O
BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) vai promover no
próximo dia 3 de dezembro, no Rio de Janeiro, o Forum BlockchainGov, evento que
será focado nas contribuições do blockchain para a aceleração da transformação
digital dos governos.
Muito Além do Bitcoin
Todo
esse movimento segue o compasso de evolução das moedas digitais que, como
lembra Fernando Barrueco, vão muito além do bitcoin. "As criptomoedas evoluíram
muito. Hoje, a Tether ultrapassou o bitcoin e se transformou na moeda virtual
mais negociada do mundo, chegando a US$ 21 bilhões em transações por dia", reforça
o especialista.
E
até mesmo a China, recentemente anunciou a criação de sua própria moeda
digital, a exemplo da Libra, do Facebook. O presidente do Banco Central do
País, Yi Gang, declarou que a futura criptomoeda estará associada a meios de
pagamento eletrônicos - o que já é utilizado pelos chineses na maior parte de
suas compras.
A
Libra terá correspondência em dólar e, caso o projeto evolua como quer Mark
Zuckerberg, contará com a própria rede social como uma de suas plataformas. "Graças a evoluções como essa, a inclusão definitiva ao Blockchain vai
acontecer rapidamente, ao mesmo tempo em que soluções financeiras tendem a
alcançar espaços e comunidades onde instituições tradicionais nunca chegaram",
afirma Barrueco.
No
Brasil, a Tuna Coin é outro bom exemplo. A criptomoeda corporativa, prestes a
ser lançada dentro da Bomesp, será emitida pela Companhia Industrial Atuneira
S/A e listada pela Bomesp como um utility coin (Token de Utilidade) na compra e
venda de atum. Além disso, o Blockchain será utilizado na troca de informações
entre os stakeholders do setor e a Comissão Internacional para Conservação do
Atum do Atlântico (ICCAT), que controla a captura desses pescados.
*Fernando Barrueco é CEO da Bolsa de Moedas Virtuais e Empresariais de São Paulo (Bomesp)
