Black Friday: um Desafio de Logística
*Por Daniel
Schnaider
Se você é empresário e não tem um
orçamento milionário em marketing como a Amazon para criar o seu próprio Prime
Day, provavelmente irá aproveitar a Black Friday para dar um fôlego nos
negócios. Já conversei com empresas que salvaram um ano de vendas nesta
fatídica semana de descontos. A maioria foca nas campanhas de divulgação e no
mix de descontos. Algumas fazem contratações temporárias e aumentam o horário
do expediente. Os e-commerces fazem investimentos em tecnologia para garantir
que o site não irá congestionar. Agora, se tem um aspecto que pode tornar a
experiência do cliente uma verdadeira dor de cabeça, e pouco vejo os
empresários se preocupando, é a logística.
Imaginem
o grande tiro no pé, vender produtos sem estoque, enviar a mercadoria errada
e/ou com avarias, ou ainda demorar meses para entregar. De repente, o nome da
empresa está em destaque no Reclame Aqui ou nos noticiários como exemplo de
denúncias no Procon. Acontece que a Black Friday estressa ao máximo a cadeia
logística e, se você, lojista, não começou a se preparar com meses de antecedência
para a esta data, eu diria que você corre sérios riscos.
Nessa
jogada, os e-commerces levam vantagem sobre as lojas físicas. Não somente
devido à pandemia - e que se espera, portanto, que haverá maior motivação para
compras on-line - mas também pela possibilidade de diluir os prazos de entrega
ao longo dos dias. Uma pesquisa realizada pelo Google mostra que os principais
fatores de decisão de compra dos brasileiros na Black Friday são: preço,
possibilidades de parcelamento e frete. Ou seja, nas lojas virtuais, os
clientes se submeterão aos prazos de entrega que a logística permitir.
Já
para as lojas físicas o desafio é bem maior. Trata-se de um ingrato exercício
de predição para saber quais produtos terão saída naquele fim de semana
específico. Se a loja estocar o produto errado, estará perdendo dinheiro duas
vezes: do estoque que ficou emperrado e das oportunidades de vendas perdidas
por não encomendar os produtos certos. Eu diria, ainda, que a pandemia trouxe
um fator agravante: as empresas prestadoras de serviços não são mais as mesmas.
Uma
forte recomendação é uma conversa bem franca com as transportadoras. Muitas
podem ter feito demissões, contratações menos qualificadas, vendas de ativos,
trocas por veículos com menos tecnologia, tudo para sobreviver à crise. Uma
queda na qualidade da prestação do serviço de entrega pode manchar a reputação
da empresa, pois o consumidor irá associar a experiência à loja, jamais à
transportadora.
Mas
e se você me perguntar se existe uma solução, eu sugiro uma sintetização do
problema: as empresas precisam fazer estoque ou entregar os produtos de forma
segura e eficiente, sem aumentar os custos do frete para terem um Black Friday
de sucesso. Diante disso, eu só vejo uma solução: usar o melhor que a
tecnologia pode nos proporcionar ao nosso favor.
Atualmente,
o setor de logística tem sido revolucionado pelas soluções baseadas na internet
das coisas, o famoso IoT
(internet of things,
na sigla em inglês). A partir de um pequeno computador, sensores e outros
dispositivos, tanto os veículos como as cargas estão conectados em tempo real.
Esse tipo de solução permite redução dos custos do frete, pois proporciona uma
redução de até 26% no consumo de combustível e até 15% do custo de manutenção.
Isso porque a gestão da frota passa a ser baseada em informações que os
veículos conectados enviam a todo momento.
Além
disso, uma frota com esse tipo de solução tende a ser menos ociosa, com
otimização de rotas, e mais segura, tendo em vista que permite o monitoramento
do comportamento do motorista. Ela ainda previne contra roubos e fraudes.
Imaginem a dor de cabeça para uma empresa em ter, por exemplo, um caminhão de
eletrônicos roubado. Ainda que se tenha o seguro, pensem no esforço em repor
todos os pedidos e refazer as rotas, tentando, ao máximo não atrasar e
fidelizar o cliente.
Portanto,
a palavra de ordem, acredito que seja a preparação. Afinal, não se trata de
nenhuma surpresa, a Black Friday existe há alguns anos. O que se espera é
que a oferta de frotas inteligentes seja cada vez mais ampla, e que as empresas
tenham um papel fundamental nisso, dando preferência e cobrando os prestadores
de serviços em logística para que tenham a tecnologia ao seu lado, de modo que
juntas possam fazer da experiência de compra de seus clientes um verdadeiro
sucesso.
*Daniel
Schnaider é CEO da
Pointer By PowerFleet
Brasil, especializada em soluções de IoT.
