A Importância do PWA para o eCommerce e Como Ele Pode Ditar o Fim dos APPs
*PorErick Melo
Guarde
esse número: segundo uma pesquisa realizada pela Telebrasil, 97% dos
usuários da internet no Brasil acessam a rede por meio de smartphones. Isso
posto, a necessidade das empresas em se conectar com seus clientes via
aplicações móveis está (mais do que) consolidada. A questão que cabe aqui não é
mais "quando", mas sim "como" fazer isso.
Há
um paradoxo interessante nos hábitos de acesso dos brasileiros: enquanto o
acesso às páginas web é duas vezes maior do que em aplicativos, os usuários
gastam 15 vezes mais tempo em apps do que na web. Além disso, 53%
dos consumidores abandonam sites que demoram mais de 3 segundos para carregar. Como, então, unir o
melhor de dois mundos? A simplicidade da web com a praticidade e a fluidez dos apps?
A
resposta: PWA, ou Progressive
Web App
(Aplicação Web Progressiva).
O
PWA é uma técnica que consiste em escrever uma aplicação em linguagem web para
que ela se comporte como uma aplicação "nativa" do celular ou do
computador. Ou seja, o primeiro problema já foi resolvido: a linguagem serve
tanto para a web quanto para smartphones, o que permite um carregamento
dinâmico e incremental, que lhe dá rapidez e confiabilidade. O PWA é instalável
e, acima de tudo, otimizado - já que se trata de uma solução web
com usabilidade de app, o que une alcance e engajamento em um só pilar.
Outra
vantagem muito bem-vinda é que ele permite "driblar" a dependência de
conectividade - já que no Brasil é comum algumas regiões terem baixa conexão -
ao se utilizar do pré-cache, ou seja, os dados das páginas acessadas anteriormente ficam
armazenados e podem ser visualizados off-line. Isso permite, por
exemplo, realizar uma compra na web sem conexão alguma, bastando entrar em uma
área de cobertura mínima (G) para que ela seja concretizada junto ao emissor,
ou seja, o 4.5, 4, 3, H+, H e até mesmo o E são dispensáveis. Ainda há a
vantagem da experiência do usuário, que conta com soluções de autenticação como
push notification, por exemplo.
O
potencial dessa solução é tão grande que conseguiu forjar uma aliança entre
dois gigantes - e rivais - do setor: Google e Microsoft. E os resultados já
aparecem: hoje é muito fácil e intuitivo baixar um PWA na Google Play Store,
enquanto a Apple ainda não permite o download de PWAs na sua App Store.
Considerando que 9 em cada 10 usuários de smartphones no Brasil utilizam
Android, isso não deve ser desprezado por um varejista do País que quer
proporcionar uma boa experiência do usuário em suas aplicações na web. Não
obstante, a partir da versão 70, liberada em outubro de 2018, o Chrome
(navegador do Google) passou a aceitar o PWA em sua versão desktop.
O
que permite que as aplicações da Google executem o PWA com tanta maestria é a
tecnologia TWA
(Trusted Web Activity - Atividade Web Confiável), solução anunciada em 2019
e que permite que os desenvolvedores criem um aplicativo Android para
agir como uma "cápsula" para o PWA, ou seja, quando o app Android
for publicado na Google Play Store, ele executará seu PWA no Chrome ou
em outro navegador disponível, garantindo a experiência do usuário ao máximo.
Mesmo
com tantas vantagens, sobretudo em um panorama de crescimento exponencial do
eCommerce e varejo - que precisam atender usuários cada vez mais exigentes e
seletivos em relação à experiência e User Interface (UI), dois aspectos plenamente considerados pelo PWA
- nem tudo "são flores". É necessário estar atento ao adquirir a
solução, e checar se de fato o que está sendo oferecido para você é um PWA.
Muitas vezes, em um autêntico processo de "vender gato por lebre",
prestadores de serviços oferecem "soluções" que não englobam as
principais vantagens do PWA, e sim somente um programa instalável dotado de um
manifesto.
O
verdadeiro PWA, aquele que ajudou tantas marcas globais de sucesso como Starbucks e AliExpress, deve
ser (sempre!) rápido, confiável, instalável e otimizado. O futuro dos Apps
já chegou, fica aqui apenas uma pergunta: você, varejista, irá participar desse
movimento, ou vai apenas contemplá-lo, questionando-se "onde foi que perdi
o bonde"?
*Erick
Melo é CCO da WEBJUMP, especializada emsoluções
tecnológicas para e-commerce B2C e B2B.
