6 Dicas Para Manter Seu Relacionamento Com Clientes Saudável
*Por Oscar Pettezzoni.
A maneira como as pessoas usam e enxergam os programas de
fidelidade e o relacionamento com os clientes mudou. Acredito que elas não
querem mais esperar tanto tempo para obter ou gozar dos benefícios. Por isso,
notamos que os chamados "benefícios imediatos", como cashback, descontos no
checkout e ativações de ofertas no momento da compra, são cada vez mais
requisitados. Flexibilizar o resgate pensando nesse novo comportamento é um
caminho para manter seu programa relevante.
Um estudo recente feito pela consultoria Bond Loyalty em
parceria com a Visa, chamado The Loyalty Report, reúne valiosos insights e
análises sobre como podemos repensar a oferta de benefícios e aprimorar
indicadores como o nível de engajamento dos membros, a satisfação na
experiência do usuário e o equilíbrio entre taxa de acúmulo e resgate de
pontos. Com uma concorrência cada vez mais acirrada pela fidelidade dos
clientes, a equação entre velocidade de acúmulo e utilização de pontos se torna
essencial na estratégia de fidelização.
Listamos a seguir dicas que podem auxiliar nesse
equilíbrio:
1. Fidelização é algo que dá para medir
Existem métricas eficientes que podem ajudar a identificar
fraquezas e oportunidades em sua estratégia de fidelização. Com uma análise ampla
que considera sua base de clientes, os principais segmentos e a taxa de resgate
de pontos, é possível avaliar o desempenho, rever metas e ajustar a rota. A
retenção de clientes e o share of wallet estão entre os indicadores mais
importantes.
O primeiro pode ser medido pela porcentagem de clientes que
gastam com você hoje - e são ativos na sua categoria de negócios - em
comparação aos que gastavam com você no passado. Nesse indicador, considera-se
não somente quem segue gastando com a sua marca, mas também a performance na
categoria como um todo. O share of wallet, por sua vez, mostra os gastos
de seu cliente com o seu programa em comparação com gasto total com seus
concorrentes.
2. Os benefícios devem impactar positivamente a vida das
pessoas
Você sabe o que é relevante para seu consumidor hoje em
dia? Sem dúvida, o novo cenário imposto pela pandemia no mundo - e sobretudo no
Brasil - traz impactos significativos no hábito de compra e de preferências do
consumidor. A mesma lógica de sempre talvez não funcione mais. Temos que
identificar onde as pessoas estão e como estão gastando seu dinheiro para
oferecer recompensas que realmente façam a diferença em sua vida. A análise de
uma variável de dados geográficos, demográficos e comportamentais é imprescindível
para termos uma percepção mais clara..
Por exemplo, há evidências de que a pandemia acelerou o
crescimento do e-commerce, o aumento de vendas realizadas diretamente pelo
fabricante ao consumidor final (direct-to-consumer), encurtando o processo, e que
as pessoas estão repensando o que de fato constitui um "valor" para elas. Tudo
isso tem impacto nos programas de recompensa e nas estratégias de
relacionamento.
3. Os dados são importantes, assim como as pessoas
Está claro que a tecnologia nos auxilia a ter uma dimensão
quantitativa da operação ao fornecer dados preciosos, mas não dispense uma boa
conversa para entender como mudou o comportamento das pessoas. Entrevistas
qualitativas podem aprofundar sua análise do cenário e elucidar escolhas e
motivações. Podem ser úteis para identificar problemas de adesão ao programa de
fidelidade, complicações na experiência do usuário e outras falhas no processo.
As duas práticas combinadas (dados e pessoas) têm um poder valioso.
Identificar onde e como seus clientes estão gastando seu
dinheiro é condição prioritária para rever sua estratégia de fidelização. Como
vimos acima, essa análise pode incluir variáveis como elementos demográficos,
geográficos e de estilo de vida. Com isso, é possível desenvolver uma segmentação
abrangente de sua base de clientes. Para ampliar a visão e enriquecer ainda
mais a coleta e a interpretação dos dados, o trabalho em conjunto com um
parceiro de mercado pode ser um bom caminho.
4. Não subestime a presença de pequenos negócios na sua base
de clientes Já pensou que dentro de seus clientes, além de consumidores
finais, pode haver uma quantidade significante de empreendedores individuais
que tocam pequenos negócios? Que eles podem representar uma parte expressiva de
sua base? Portanto, sua estratégia deve considerar a oferta de recompensas e
benefícios que atendam diretamente a esse perfil, levando em conta a área de
atuação de pequenos donos de estabelecimentos que usam seu programa a seu
favor.
5. Os concorrentes: visão além do óbvio
Com a combinação de análises quantitativas e qualitativas
que vimos acima, conseguimos identificar quais são os programas de fidelidade,
além do seu, nos quais seus clientes estão mais ativos e engajados - e,
portanto, quais você deveria considerar na sua análise de concorrentes. E não
me refiro apenas aos concorrentes diretos de seu setor de atuação. É provável
que seus usuários, no dia a dia, comparem as vantagens de seu programa com
outros que ele utiliza mesmo não sendo do mesmo segmento.
5. O consumidor no centro da experiência
Tenha em mente que o usuário deve ser o foco do seu
processo de inovação, mesmo quando a tecnologia ganha protagonismo em muitas
etapas. Atrelar a oferta de recompensas de seu programa às necessidades das
pessoas é a única maneira de desenvolver soluções eficientes. Com esse olhar,
percebemos melhor o que leva um consumidor a escolher determinado benefício:
uma satisfação pessoal, o desejo de alcançar uma meta, a solução de um problema
que o incomoda. Ao acompanhar a jornada do cliente, naturalmente aparecem
oportunidades para aprimorarmos a sua experiência, que precisa ser fluida.
Estratégias de fidelização são ferramentas eficazes para
ampliar o conhecimento sobre sua base de clientes, entender seu comportamento e
necessidades e, por fim, manter um relacionamento de longo prazo. E os pontos
acumulados e resgatados se tornaram um importante mecanismo de fomento das
relações comerciais entre consumidores e empresas.
Após essa análise, temos mais segurança em determinar o que
de fato conseguimos implementar (ou seja, atender adequadamente a uma opção de
resgate sem comprometer a experiência do usuário), com a preocupação de
oferecer recompensas aderentes à sua marca e buscando sempre uma estabilidade
na gestão dos pontos.
*Oscar Pettezzoni é diretor executivo da Visa Consulting
& Analytics.
