Mercado livre de energia ganha força entre as empresas
Redução de Custos
Após gerar uma economia recorde de R$ 48 bilhões nos
gastos com energia elétrica em 2023, o mercado livre de energia entra em uma
nova fase neste ano, com a abertura para consumidores de energia em média e
alta tensão - que têm demanda menor que 500 kW (kilowatts). "Com isso, todo
consumidor do mercado B2B que têm conta acima de R$ 6 mil passa a estar
habilitado para comprar no mercado livre de energia, deduzindo-se que ele está
ligado em média e alta tensão", explica Cláudio Ribeiro, CEO da comercializadora
de energia 2W Ecobank, em entrevista ao Jornal Giro News. Neste mercado, o
cliente pode selecionar e contratar o serviço diretamente da empresa geradora
de energia. Antes dessa nova etapa, apenas grandes empresas, com demanda maior
que 500 kW, podiam fazer a migração. Entre elas, estão Ambev, Gerdau, Vale e
Petrobras.
Adesão Crescente
Apenas neste mês, duas empresas ligadas ao canal
alimentar anunciaram investimentos no mercado livre de energia. De um lado, o
atacarejo Mart Minas firmou um acordo para autoprodução de energia, que
abastecerá 62 lojas em Minas Gerais, além de 19 unidades do Dom Atacadista no
Rio de Janeiro. E do outro lado, a Pátria Investimentos, que tem avançado no
segmento alimentar com aquisições de redes como Atakadão Atakarejo e Avenida
Supermercados, anunciou a criação de uma empresa voltada à comercialização de energia.
Segundo Cláudio, a tendência é que este mercado continue crescendo de forma
acelerada. "Houve um salto nos últimos dois meses. Foram 13 mil unidades
consumidoras pedindo para migrar para o mercado livre de energia. Antes, eram
de mil a 2 mil solicitações por mês", destaca.
Vantagens e Desafios
Para o executivo, além da busca por economia, esse
movimento faz parte de uma estratégia de atender as demandas dos consumidores,
que querem se relacionar com empresas que se posicionam como ambientalmente
corretas. "Os benefícios desse mercado são poder abrir o negócio para
competição, comprar o fornecimento de quem quiser e saber a fonte de energia
que está comprando. As empresas podem ter certificado de procedência e custo
menor, além de fazer um gerenciamento melhor do custo de energia", explica
Cláudio. Para driblar os desafios de falta de informação no atendimento a
empresas menores, as comercializadoras estão investindo para simplificar os
processos e oferecer conveniência aos novos clientes.
Potencial de Crescimento
Dados da Abraceel (Associação Brasileira dos
Comercializadores de Energia) apontam que, atualmente, o mercado livre de
energia elétrica brasileiro conta com pouco mais de 40 mil unidades
consumidoras, número que representa 0,04% do total de 89 milhões de unidades
consumidoras de energia no país. Para o CEO da 2W Ecobank, o crescimento deste
mercado permitirá que os consumidores se tornem cada vez mais livres e estejam
no centro das decisões. "O mercado livre de energia abre espaço para competição
e é bom para a sociedade, pela disseminação do uso de energia renovável. Também
é uma forma de baratear o custo da energia para o consumidor brasileiro, como
acontece em todos os países desenvolvidos. As empresas precisam aproveitar
rapidamente", conclui Cláudio. Já para os consumidores residenciais, a
expectativa é que a migração seja liberada em cerca de 10 anos.
