Nota de R$ 200 Fará Varejo Manter Valores Maiores no Caixa
Dinheiro Fora do Cofrinho


Texto: Bruna Soares
A cédula de R$ 200, que foi anunciada
pelo Banco Central e está prevista para começar a circular no final deste mês,
deve trazer algumas mudanças para o mercado, que ultimamente tem se dedicado ao
movimento de digitalização do dinheiro. Em entrevista exclusiva ao Jornal Giro
News, Rodrigo Dória, CEO da startup Super Troco, revela que o varejo não deve
obter variações expressivas em sua rotina, apenas no que se refere à
disponibilidade de cédulas no caixa. "Com a crise econômica, as pessoas
passaram a guardar mais dinheiro em casa e isso causou uma falta de circulação
de notas no mercado. Partindo do princípio do BC, a ideia é que as cédulas
maiores, como a de R$ 200, sejam armazenadas e as notas menores voltem a
circular."
Falta de
Cédulas Maiores
Segundo Rodrigo, este movimento deve
levar o varejo a outro problema: "as empresas, que já sofrem com falta de
moedas, também passariam a ter dificuldades com a ausência de cédulas maiores".
O empresário ressalta que as lojas não costumam deixar valores altos no caixa,
como medida de segurança contra assaltos. No entanto, os varejistas terão que
mudar este hábito, para conseguirem fornecer troco para a nota de R$ 200. "O
dinheiro em espécie ainda é muito usado no país. Cerca de 60% das transações no
varejo são pagas com dinheiro. Apesar disso, a maior tendência do mercado de
pagamentos é a digitalização. O Brasil tem 40% de sua população desbancarizada
e as fintechs estão mudando este cenário. Porém, a criação de novas cédulas vem
num caminho contrário à essa digitalização."
Dinheiro
em Forma Digital
A digitalização foi a oportunidade
encontrada pela Super Troco. A startup converte o valor em pontos digitais, que
podem ser utilizados para resgatar produtos e serviços de empresas parceiras, e
o varejista recebe uma comissão sobre o troco convertido. "Recentemente,
ultrapassamos um milhão de clientes e estamos numa curva de crescimento
acelerada desde o final de 2019. Em janeiro, o faturamento aumentou quase três
vezes." De acordo com o CEO, os próximos projetos serão fortalecer a operação
do serviço em todos os estados, obter novas verticais de distribuição e lançar
um novo site, com mais funcionalidades. "As tendências de pagamento estão
associadas ao uso de aplicativos, QR code e contas digitais, com a descentralização
dos bancos", finaliza Rodrigo Dória.
