Abrasorvete acusa Unilever e Froneri de práticas anticoncorrenciais no mercado brasileiro
A Associação Brasileira do Sorvete e Outros Gelados Comestíveis (Abrasorvete), entidade que representa a indústria nacional do setor, notificou formalmente a Froneri Brasil (joint venture da Nestlé) e aponta preocupações similares em relação à Kibon (Unilever), alegando possíveis práticas anticoncorrenciais que ameaçam a estabilidade do mercado brasileiro. A mobilização da entidade nacional ocorre após o recebimento de denúncias de entidades regionais, que relataram um cenário insustentável para os produtores locais. Sindicatos e associações estaduais do Ceará, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Paraná e Espírito Santo, formalizaram queixas à Abrasorvete, exigindo uma intervenção urgente contra o que classificam como "práticas predatórias".
Insatisfação generalizada
Em resposta, a Abrasorvete enviou documentos às duas empresas em 3 de dezembro, cobrando explicações sobre políticas de preços consideradas irreais e contratos de exclusividade em pontos de venda. A denúncia gira em torno da precificação praticada pelas marcas, especialmente nas grandes cadeias de autosserviço (supermercados) e no pequeno varejo. "Tem pote de sorvete de 1,5l sendo vendido no mercado a menos de 9 reais, três vezes menor do que o mercado pratica. Entende-se que os preços praticados com frequência, principalmente em cadeias de autosserviço, são insuficientes para gerar rentabilidade ao negócio, o que pode evidenciar uma política de preços anticompetitiva", afirma o ofício enviado à diretoria da Froneri.
Mercado sufocado
"Quando uma multinacional vende um pote de sorvete por um valor que mal paga a matéria-prima e a logística, ela não está competindo, ela está sufocando o mercado para reinar sozinha depois", diz o presidente da Abrasorvete, Martin Eckhardt. Além da guerra de preços, as denúncias regionais apontam o uso de poder econômico para obter exclusividade em pontos de venda. "Há relatos de pagamentos diretos (luvas) de até R$ 20 mil para pequenos estabelecimentos, como padarias, apenas para garantir a exclusividade do equipamento e retirar a concorrência local", completa Eckhardt.
Criação de comissão técnica
A entidade anunciou a criação de uma comissão técnica interna para auditar e documentar essas práticas em todo o território nacional. Segundo a Abrasorvete, a Nestlé (por meio de sua joint venture Froneri) quanto a Unilever (detentora da marca Kibon) não se posicionaram até o momento, após 14 dias do recebimento das cartas. No dia 23/12 a The Magnum Ice Cream Company, através de sua assessoria de imprensa, enviou a Giro News um posicionamento oficial. Segue a íntegra abaixo:
The Magnum Ice Cream Company, detentora das marcas Kibon e Magnum no Brasil, esclarece que, até o momento, não tem conhecimento de qualquer notificação formal recebida sobre o tema mencionado. A companhia reitera seu compromisso com a livre concorrência, atuando em estrita conformidade com a legislação vigente e com seu Código de Conduta, que orienta a competição de forma ética, transparente e leal, em benefício dos consumidores e de um ambiente concorrencial saudável.
The Magnum Ice Cream Company passou a operar como uma empresa global e independente após a separação da divisão de sorvetes da Unilever, em 2025, sendo atualmente responsável pela gestão e operação de marcas de sorvetes em diferentes mercados, incluindo o Brasil, com governança, liderança e decisões comerciais próprias.
