Apps de delivery podem aumentar corrida em até 50% com regulamentação
As novas regras do projeto que busca regulamentar o trabalho no segmento do delivery, em discussão no Congresso Nacional, podem provocar o aumento relevante no preço das corridas e do delivery no Brasil. A proposta estabelece novos parâmetros de remuneração e regras operacionais para o setor e pode avançar para votação nas próximas semanas. Segundo a Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (PROTESTE), o transporte por aplicativo pode ter aumento médio de até 50%, podendo alcançar 89% em horários de maior demanda e até 99% em viagens curtas noturnas. No delivery, o preço final do pedido pode subir até 25%, com taxas de entrega até 68% mais caras. Outras projeções analisadas indicam que até 390 mil entregadores podem ser impactados e que pequenos restaurantes podem perder até 50% do faturamento via delivery. Estimativas da associação apontam ainda que 9 em cada 10 entregadores poderiam perder atividade caso ocorra retração significativa do mercado.
Impacto no Delivery
A entidade afirma que serviços de uso recorrente e baixo valor médio são altamente sensíveis ao preço. Pequenas variações já alteram o comportamento do consumidor. Caso haja retração relevante na demanda, os impactos podem se espalhar por toda a cadeia. “Esses dados mostram que políticas bem-intencionadas podem produzir efeitos contrários quando não são precedidas de uma avaliação ampla de impacto. Menos pedidos significam menos acesso para o consumidor e menos oportunidades de renda para quem trabalha”, destaca Henrique Lian, diretor-geral da PROTESTE.
Em Seattle, nos Estados Unidos, após a adoção de regras mais rígidas de remuneração, o preço do serviço subiu mais de 40% e o número de pedidos caiu mais de 50%, reduzindo a atividade do setor. O caso é citado como exemplo de possível efeito econômico não intencional quando mudanças regulatórias não consideram todo o ecossistema.
