Varejo alimentar inteligente: IA e IoT antecipam tendências e reduzem falhas no abastecimento
Quando se observa a escala global, nacional, regional e local, a transformação tecnológica das últimas décadas impactou diretamente todos os setores da economia, independentemente da esfera de atuação. No setor do varejo alimentar, portanto, o processo não poderia ser diferente.
Em um cenário no qual o comportamento do consumidor muda abruptamente conforme os gostos e costumes, tecnologias como Inteligência Artificial (IA) e Internet das Coisas (IoT) mostram-se vetores elementares tanto para manter o equilíbrio da oferta e da demanda, essa grande lei do mercado, quanto para evitar o excesso de produtos e a falta deles nas prateleiras.
No Brasil, por exemplo, dentre os setores varejistas, o que mais acompanhou as tendências tecnológicas foi o setor alimentar. Neste contexto, uma pesquisa realizada pela Central do Varejo, divulgada no início de 2025, mostrou que 47% dos varejistas já fazem uso de IA e 53% pensam em começar a implementar este tipo de tecnologia.
A pesquisa vai ao encontro do estudo realizado pela Retail Systems Research, a qual indicou que 72% dos executivos do varejo alimentar pretendem adotar tecnologias como Inteligência Artificial (IA) e automação para se manterem competitivos em 2025.
A adoção deste tipo de tecnologia no varejo, conforme estudo da CB Insights, possui potencial de aumentar a produtividade nas indústrias em cerca de 1% a 2% das receitas mundiais. Este percentual, por sua vez, representaria um valor entre 400 e 600 bilhões de dólares anualmente.
Por que o uso destas tecnologias tornou-se importante no setor?
A Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO) realizou um estudo em 2024 e percebeu que 45% de todas as frutas e vegetais produzidos no planeta acabam sendo desperdiçados. Mas o que a IA e a IoT têm a ver com isso? A resposta é mais simples do que aparenta ser.
Por exemplo, com o uso de algoritmos avançados, a IA é uma excelente ferramenta para análise de padrões de compra, sazonalidade, preferências ligadas a aspectos regionais e até mesmo variáveis externas aos agentes, como clima ou fenômenos meteorológicos que possam, de alguma forma, influenciar o consumo.
Através destas análises, os sistemas conseguem prever quais produtos têm menor ou maior chance de sair em determinados períodos do ano, de modo a ajustar automaticamente as necessidades de reposição.
Este mesmo movimento pode ser desempenhado em todas as etapas do processo produtivo, desde a produção até o abastecimento e, enfim, a circulação das mercadorias. A IA, por exemplo, reduz significativamente os desperdícios, aumentando também a eficiência operacional e melhorando a experiência do cliente.
Neste mesmo percurso, a IoT, a partir da integração de sensores, dispositivos e sistemas de monitoramento conectados, atua diretamente no acompanhamento das condições de temperatura no armazenamento, prazos de validade e fluxo de entrada e saída das mercadorias.
Todos estes processos, juntos, reduzem na prática as perdas, a partir da automatização do controle de toda uma cadeia produtiva, que antes era realizada somente por pessoas e, portanto, talvez mais suscetível ao erro. Um exemplo prático está nos refrigeradores inteligentes, que notificam o sistema central sobre quedas de temperatura ou produtos próximos ao vencimento.
O setor precisa cada vez mais de profissionais qualificados
Embora a tecnologia exista e contribua significativamente para a melhora do setor em todos os sentidos, a implementação e a manutenção desta infraestrutura tecnológica exigem mais do que somente o investimento inicial.
Na realidade, por trás dos sistemas inteligentes, estão profissionais capacitados, responsáveis por desenhar, desenvolver e otimizar as plataformas que tornam o funcionamento do varejo alimentar cada vez mais automatizado, inteligente e eficiente. São os especialistas em análise e desenvolvimento de sistemas que estruturam os ambientes digitais capazes de transformar dados brutos em decisões estratégicas, por exemplo.
O mercado mundial está transitando para uma etapa do desenvolvimento humano pautada pela integração massiva de tecnologias. Neste cenário, torna-se estratégico para os varejistas do setor alimentício investir na contratação e valorização dos profissionais que atuam com estas tecnologias.
Hoje, a competitividade no setor não se sustenta somente a partir da disputa pelo valor da mercadoria ou pela localização geográfica privilegiada em dado contexto. Na realidade, ela depende cada vez mais da capacidade de interpretar e agir sobre dados.
Além da melhoria das operações, o uso destas tecnologias permite personalizar o atendimento ao consumidor, possibilitando enviar promoções direcionadas, ajustar ofertas conforme as preferências de compra, entre outras possibilidades.
No fim, em um setor do mercado marcado por margens apertadas e alta rotatividade de produtos, investir em inteligência tecnológica tornou-se regra, e não mais exceção. O varejo alimentar do futuro será, inevitavelmente, aquele que conseguir aliar tecnologia, gestão e capital humano qualificado.
