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Imagem destaque: Assaí e Grupo Mateus dão largada à nova fase de farmácias no canal alimentar
Créditos: Divulgação

Assaí e Grupo Mateus dão largada à nova fase de farmácias no canal alimentar

   Nesta semana, foi sancionada a lei que autoriza a venda de remédios em farmácias e drogarias instaladas em supermercados. A decisão abre espaço para redes do canal alimentar que já estavam se preparando para atuar no segmento de medicamentos, como o Assaí Atacadista e o Grupo Mateus. Em janeiro, o CEO do Assaí, Belmiro Gomes, afirmou que a companhia estava acelerando o plano de inaugurar farmácias próprias. A inovação partiu da percepção de que medicamentos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro mudaram os hábitos alimentares, sendo necessária a adaptação à nova cesta de compras dos consumidores. A rede de atacados criou o projeto Farmácia Assaí, que abrirá 25 unidades até julho, todas dentro do complexo comercial de suas lojas. “Com a mudança promovida pelo mercado de canetas [emagrecedoras], decidimos nos antecipar com as farmácias. Porque, até menos do que só medicamentos, quero vender suplementos e vitaminas [para esse público]”, afirmou o CEO.


Grupo Mateus firma parceria como joint-venture

  Numa transação que ainda depende do aval do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), o Grupo Mateus também está se movimentando para entrar na distribuição e venda de medicamentos no Norte e Nordeste. A parceria é estruturada como uma joint venture, envolvendo o Armazém Mateus e a AS&J Holding, que atua na distribuição de produtos farmacêuticos para farmácias, hospitais e órgãos públicos. De acordo com as empresas, a iniciativa busca gerar ganhos logísticos e operacionais, além de ampliar a oferta de medicamentos com maior eficiência na cadeia de distribuição regional.


Regras para implementação

   Dentre as regras previstas pela norma, os medicamentos devem ser vendidos em ambiente físico delimitado, segregado e exclusivo, e com a presença física de farmacêutico durante todo o horário de funcionamento do estabelecimento. Em entrevista ao Jornal Giro News no ano passado, Daniel Kamlot, professor do Programa de Pós-Graduação em Economia Criativa, Estratégia e Inovação (PPGECEI) da ESPM, salientou que para a armazenagem e logística correta dos medicamentos, além da higiene, são necessárias iluminação e ventilação adequadas, seguindo protocolos de segurança e de rastreabilidade dos produtos. “Mesmo a preocupação com o transporte adequado dos medicamentos é crucial, com o uso de veículos e embalagens que protejam o produto, evitando danos e restringindo variações de temperatura”, detalhou o especialista.


Concorrência no varejo farmacêutico

   Segundo dados da Worldpanel by Numerator, 34% das compras realizadas em farmácias são compostas exclusivamente por MIPs (Medicamentos Isentos de Prescrição) - transações que, em tese, poderiam migrar para outros canais com a nova regulamentação. O risco também está na perda de fluxo - cada missão exclusivamente de MIPs que deixa de acontecer na farmácia reduz a oportunidade de venda incremental de outras categorias. Na outra ponta, a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) afirma que a medida é uma evolução estratégica do varejo alimentar, que passa a integrar de forma estruturada a jornada de saúde e bem-estar do consumidor. Segundo a entidade, a decisão encerra um ciclo de debates de mais de 30 anos. "O setor supermercadista reúne cerca de 424 mil lojas e atende milhões de consumidores diariamente, o que pode ampliar o acesso a medicamentos, sobretudo em regiões com baixa oferta de farmácias", afirma a Abras.

27/03/2026

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