Após crescimento de Ozempic e Mounjaro, Assaí acelera plano para abertura de farmácias próprias
Com a mudança que medicamentos como Ozempic, Wegovy e Mounjaro causaram nos hábitos alimentares, as redes supermercadistas e atacadistas estão tendo que se adaptar à nova cesta de compras dos consumidores. De acordo com o CEO do Assaí, Belmiro Gomes, a companhia está acelerando o plano de inaugurar farmácias próprias, para acompanhar os novos hábitos. A venda de medicamentos em supermercados é uma bandeira defendida pelo setor há anos e ainda depende da aprovação de um projeto de lei em tramitação no Congresso.
Farmácia Assaí
Na espera da aprovação, a empresa criou o projeto farmácia Assaí, que abrirá 25 unidades até julho, todas dentro do complexo comercial de suas lojas. Por estarem em locais onde a companhia já opera, os custos de implantação são reduzidos, afirma Gomes. Caso a venda de medicamentos em supermercados seja aprovada, a farmácia passaria a operar dentro da área de mercado, ao lado de alimentos, produtos de limpeza e bebidas. “Com a mudança promovida pelo mercado de canetas [emagrecedoras], decidimos nos antecipar com as farmácias. Porque, até menos do que só medicamentos, quero vender suplementos e vitaminas [para esse público]”, afirmou o executivo.
Categorias em queda
Neste cenário, algumas categorias apresentaram uma queda no volume de vendas. “Há menos consumo de álcool e, depois, de doces. Em contrapartida, aumenta o consumo de proteína”, diz o CEO. Até mesmo alimentos vistos como mais nutritivos estão sofrendo os impactos do comportamento alimentar estimulado pelos medicamentos. “Nos carboidratos primários há uma deflação muito maior do que o movimento comum dos preços de commodities. O preço do arroz tem caído mais pela retração da demanda do que pelo excesso de oferta”, afirma. Em novembro de 2025, o faturamento com as vendas de arroz sofreram queda de 36%, segundo dados da empresa de tecnologia de dados do varejo Scanntech, o que sugere também recuo nos volumes comercializados.
Outras categorias avançam
Em contraponto, categorias como suplementos para academia registraram aumento de 47% na receita de vendas, de acordo com a Scanntech. A mesma base aponta crescimento de 11,6% na receita com carne bovina. “Estamos no início de uma mudança comportamental. Sinceramente, por que eu quis colocar açougue nas lojas há dois anos? Porque já começávamos a perceber esse movimento. Somos os maiores vendedores de carne do país. O volume de frango e de ovos também está crescendo”, diz Gomes. As informações são do Invest News.
