Conheça os principais desafios do novo presidente do Carrefour
A partir de 14 de julho, Pablo Lorenzo assume a cadeira para comandar o Grupo Carrefour Brasil. Essa mudança ocorreu após Stéphane Maquaire renunciar seu cargo. E, afinal, quais serão os desafios que o executivo enfrentará pela frente? Com a saída da bolsa brasileira em maio deste ano, o novo CEO contará com maior liberdade para decisões estratégicas, já que a expectativa é que a deslistagem traga mais agilidade ao processo decisório da empresa e maior simplificação de processos. Com isso, é possível que haja um ritmo mais acelerado de expansão de lojas a partir de 2026.
Rentabilidade de Lojas
Uma das missões de Lorenzo é frear o ritmo acelerado de fechamento de lojas. No ano de 2024, o grupo encerrou 192 unidades não rentáveis - excluindo 20 drogarias e 2 postos de combustíveis -, que incluíam as bandeiras de cash & carry, hipermercado e supermercado, além das lojas de conveniência. Já no primeiro trimestre de 2025, foram 37 lojas vendidas até o final de março, das quais 16 lojas já foram entregues, de um total de 64 lojas em processo de desinvestimento. Com esse ajuste, a estratégia é rentabilizar o portfólio restante e evitar novas baixas, tendo como meta transformar parte dessas unidades em formatos mais eficientes, como Atacadão e Sam’s Club.
Futuro dos Hipermercados
Entre 2019 e 2023, o faturamento dos supermercados tradicionais caiu 25%, incluindo os hipermercados, enquanto o atacarejo cresceu 84%, segundo dados da consultoria Euromonitor International. Tentando definir um caminho para esse segmento, o Carrefour tem testado iniciativas pontuais de preços por atacado. “O mercado mudou, hoje o hipermercado tem mais preços de atacarejo e o atacarejo tem mais serviços. Estamos pilotando uma loja para ver como o cliente vai responder a essa proposta”, explicou Stephane Maquaire, CEO do grupo à época. Em nota, a empresa informou que não há um plano de transformar lojas de hipermercado em atacarejo.
Vale ressaltar que, no primeiro trimestre de 2025, a bandeira de hipermercado registrou vendas que totalizaram R$ 6,4 bilhões, o que corresponde a uma queda de 6,3% ano a ano, com redução de 12% da área de vendas em razão das iniciativas de otimização de portfólio. Como parte do plano de otimização de ativos e simplificação da estrutura do formato, foram convertidas, nos últimos 12 meses, 17 lojas de varejo (10 hipermercados e 7 supermercados) em Atacadão e Sam’s Club, com o fechamento de 30 lojas (1 hipermercado e 29 supermercados), finalizando a parceria com o Grupo Supernosso no estado de Minas Gerais, para a operação de 15 supermercados.
Aposta no Sam’s Club
A bandeira de clube de compras aparece como uma das grandes apostas do grupo. Com 58 unidades até março de 2025 e mais de 3 milhões de sócios, o formato premium tem potencial de crescimento, mas tem enfrentado obstáculos. Neste ano, mesmo com sete novas lojas, o desempenho foi tímido, com uma queda de 3,8% nas vendas mesmas lojas, impactadas pela alta do dólar e sazonalidade das vendas da Páscoa. Dessa forma, o novo CEO, Pablo Lorenzo, terá que recalibrar a proposta de valor do clube para torná-lo mais competitivo e escalável.
Relevância Digital
O Carrefour Brasil vive uma trajetória marcada por altos e baixos com o e-commerce. Após anos de tentativas e reformulações, o canal digital finalmente mostrou sinais de tração, com um crescimento de 28,9% no primeiro trimestre de 2025, se comparado com o mesmo período do ano passado, impulsionado pela operação alimentar própria (1P), que cresceu 65,6%. A receita chegou a R$ 3,1 bilhões. O desafio agora é consolidar a operação alimentar no digital, que segue pouco desenvolvida, e posicionar a marca como referência em conveniência e omnicanalidade. A integração entre lojas físicas, aplicativos, delivery e programas de fidelidade será essencial para competir com players do mercado. Pablo Lorenzo, que já liderou a transformação digital na Argentina, terá que repetir o feito em um mercado ainda mais competitivo.
