Os Impactos da Alta da Carne no Consumo
Brasileiro Busca Alternativas

Texto: Gustavo Marinheiro
Mais ovos, frangos, suínos, peixes e carnes de segunda. Esse
é o impacto da alta de 38% no preço da carne vermelha nos últimos 12 meses,
segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em
média, cada brasileiro consumiu 26,4 quilos de carne em 2020, uma queda de
quase 14% em relação a 2019. Este é o menor nível em 25 anos, desde 1996,
quando foi iniciada a série da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).
Apenas nos quatro primeiros meses de 2021, o consumo per capita caiu 4% na
comparação com 2020.
Alternativas à Carne Bovina
Dados da Kantar indicam que do último trimestre de
2020 para os primeiros três meses deste ano, houve um aumento do consumo de
carne de sol na classe AB, salsicha na DE e hambúrguer na C. No Grupo Super
Nosso, varejista que atua em Minas Gerais, foi registrada uma alta considerável
na venda de cortes de frango, ovos e peixe, além dos cortes mais baratos de
carne vermelha. "Também houve uma média migração para os cortes suínos,
não tão elevada, tendo em vista carne bovina", afirma o Grupo, com
exclusividade ao Jornal Giro News. Um levantamento do IBGE confirma o
comportamento apurado no Super Nosso: as carnes de segunda foram as que mais
subiram no ano passado, ultrapassando 27% nos cortes de costela e músculo. Em
média, cada brasileiro come 94 ovos por ano, sendo que em 2020 esse número
saltou para 251. Já o consumo de carne suína aumentou 5% e o de frango, 6%.
Perspectivas para o 2º Semestre
Com o desemprego atingindo a casa dos 14% e o fim do
auxílio emergencial, a renda e a demanda dos consumidores pela proteína bovina
devem continuar caindo. A escassez de oferta será outro fator que influenciará
na alta do preço da carne, diminuindo consecutivamente o consumo. Especialistas
apontam que o problema seguirá até 2022, para quando existe uma perspectiva de
aumento na produção bovina.
