Transformação Digital no Varejo: o Que Fazer Para Que Sua Marca Não Perca a Relevância
*Por Mariana Fontanezi
Você já parou para pensar que na última
década estamos vivenciando um dos maiores e mais acelerados momentos de avanço
tecnológico no varejo? Dispositivos móveis, Inteligência artificial, Internet
das Coisas, machine learning, realidade virtual e aumentada, assistentes de
voz, impressoras 3D e muitas outras aplicações têm levado os varejistas a se
questionarem de que forma as novas tecnologias impactam o modo de consumo e,
sobretudo, a forma como o consumidor interage com as marcas.
No Brasil, já são mais de 220 milhões
de smartphones ativos - mais de um por habitante -, segundo a FGV-SP. E não é a
toa que a Webshoppers 2019 mostrou que mais de 40% das compras do varejo no
Brasil ocorrem via dispositivos móveis.
Intensificada pela hiperconectividade e
mobilidade, as gerações recentes estão muito mais empoderadas, perceptivas,
participativas e exigentes com as marcas e a forma como são tratadas por elas.
Diante de um rol imenso de marcas, serviços e produtos para escolher, quem
atende aos requisitos ganha, e muito, em competitividade. Vale, portanto,
refletir se o varejo tem atuado de forma estratégica -- a fim de proporcionar
experiências únicas e de reter seus clientes -- ou se o setor tem perdido
vendas por não se adequar ao novo padrão de exigência dos consumidores. Afinal,
quais são os desejos e as necessidades do seu cliente?
Se por um lado os Baby Boomers e a
Geração X (nascidos até 1970) tiveram pouco contato com a tecnologia e com
grandes inovações no varejo, a partir da década de 80 a Geração Y (ou
Millennials) surgiu em um período de prosperidade econômica e tecnológica para
o consumo. Foram os primeiros a realmente se atentar à experiência relacionada
aos produtos, e não apenas ao produto em si.
Mas quem realmente elevou esse patamar
às transformações que vemos hoje foi a Geração Z, ou os "ctrl +Zs" (nascidos a partir de 1995). Os jovens desta geração são nativos digitais e já
nasceram em um mundo com internet, onde tudo é conectado e acessível diante de
um clique. Esse público quer ser capaz de opinar e de ser ouvido. Assim, não
tem medo ou vergonha de acionar as empresas via redes sociais a fim de cobrar
um retorno sobre uma eventual reclamação. Também é uma geração que se
caracterizou pela mudança constante de opinião em relação ao trabalho, marcas,
produtos, vida pessoal, entre outros pontos. Se preocupam muito mais com a
experiência que terão ao adquirir um determinado serviço do que com a marca em
si. Mais do que status, esses jovens querem ser bem atendidos!
Se estamos falando de um consumidor que
deseja relacionamentos baseados em experiências imersivas, imediatas e
personalizadas, é por que o ambiente digital e multicanal passou a proporcionar
essas vantagens para quem investe nesse sentido. Conhecer a jornada e o
comportamento do consumidor nos diferentes canais e prever necessidades e
desejos deles se tornou a ferramenta mais estratégica de fidelização e
competitividade para o varejo. E o impacto não é baixo. Segundo dados do IDC,
investir em tecnologias que impactam a experiência aumentam em até 20% o nível
e satisfação dos clientes no varejo.
Para embarcar nessa jornada, pode
esquecer as velhas planilhas de Excel e as ferramentas unidirecionais e legadas
de análise. O volume de dados capturados e gerados em diferentes canais está
exigindo uma visão 360 e em tempo real a respeito do cliente, com ferramentas
de automação e inteligência artificial que possam propor soluções rapidamente
para essa geração nos canais em que eles querem interagir. Seja na loja física
ou no e-commerce, querem ser reconhecidos e tratados da mesma forma.
Um dos maiores e mais icônicos
varejistas dos EUA, a Macy's, foi uma das marcas a sair na liderança desse
movimento quando, há cerca de uma década, implementou analytics para conhecer
melhor seus clientes e iniciativas de marketing, e oferecer experiências
personalizadas por meio dos canais.
No Brasil, esse movimento começou a
ocorrer com força mais recentemente, e já estamos vendo grandes mudanças
ocorrendo. As marcas hoje têm uma preocupação muito maior com a jornada do
consumidor - de ponta a ponta - pois sabem que o esforço para recuperar um
cliente perdido é muito maior, assim reter o seu público é primordial. Parece
algo básico, mas, nos dias atuais, em que marcas e novos serviços surgem em uma
velocidade impressionante, tornou-se um desafio real.
Acredito que as empresas brasileiras
estão amadurecendo e aperfeiçoando o relacionamento com seus consumidores, mas
ainda vejo muito potencial de melhorias. Não existe uma fórmula mágica que
garanta o sucesso, mas, pela minha experiência, colocar o cliente no centro,
utilizar dados de forma adequada e aproveitar todo o potencial que as novas
tecnologias oferecem são os principais pilares que deveriam nortear a
estratégia das companhias.
E a sua empresa, o
que tem feito para surpreender o cliente e se manter relevante?
*Mariana Fontanezi é Consultora de pré-vendas no SAS Brasil.
