Realidade virtual e aumentada: quais são as possibilidades para o futuro?
*Por Marcio
Aguiar, diretor da divisão Enterprise da NVIDIA para América Latina
Percebemos um avanço
cada vez mais rápido nas tendências tecnológicas. Há muitas empresas utilizando
ferramentas que proporcionam experiências imersivas, seja na indústria,
educação ou na área da saúde, para visualizar os processos ou testar produtos
antes de criar algo no mundo real. O mercado de realidade virtual (RV) e
realidade aumentada (RA) contribui para a realização dessas atividades e tem
movimentado bilhões nos últimos anos, ainda mais com o interesse do público
pelo metaverso.
Apesar
de parecer ter a mesma função, essas tecnologias possuem objetivos diferentes.
A realidade aumentada é uma tecnologia interativa que integra elementos
virtuais no mundo real, utilizando elementos digitais como dados, imagens e
sons, geralmente por meio de câmeras e sensores de movimento. Dessa forma, esse
recurso consegue sobrepor alguns elementos e auxiliar na experiência dos
usuários em lojas virtuais, jogos ou redes sociais.
Já a
realidade virtual tem como objetivo inserir os usuários em ambientes virtuais,
criados por meio de um sistema computacional, permitindo uma experiência de
imersão completa. Essa experiência pode ser simulada ou muito semelhante ao
mundo real, sem ou com interação, muitas vezes tridimensional e
multissensorial. Para isso, são utilizados headsets que possibilitam essa
imersão no ambiente. Com o consumo cada vez mais voltado para o ambiente
virtual, a estimativa é de que as vendas mundiais de headsets de realidade
virtual aumentem cerca de 28 milhões em 2025, de acordo com uma estimativa da
empresa IDC.
Segundo o relatório
Worldwide Augmented and Virtual Reality Spending Guide da IDC, os gastos
mundiais com realidade aumentada e realidade virtual devem chegar a US$ 50,9
bilhões em 2026. Entre os setores que a IDC prevê investimentos nessas tecnologias
estão manufatura, saúde, serviços profissionais, educação, varejo,
telecomunicações, governos e serviços públicos. Já uma pesquisa publicada no
site Statista prevê que o mercado dessas tecnologias deve atingir a marca de
US$ 250 bilhões em 2028.
Com as
diversas aplicações focadas em IA generativa, sendo cada vez mais aprimorados,
ficará mais fácil para qualquer pessoa criar simulações e ambientes interativos
em 3D no metaverso. Isso porque essa tecnologia possibilitará a criação de
cenários virtuais fotorrealistas, além de avatares que tenham alguma semelhança
com o usuário.
Sem
dúvidas, essa tecnologia pode impactar positivamente setores como os citados
anteriormente e as possibilidades para as aplicações são inúmeras. Na
indústria, por exemplo, esses recursos são utilizados em digital twins, ou
gêmeos digitais, que são representações de fábricas no ambiente virtual. Isso
contribui para manutenção preditiva, identificação de melhorias, otimização dos
processos, tornando todo o trabalho mais eficiente e até impactando no
orçamento da empresa.
No
Reino Unido, duas equipes de engenharia da Hyperbat, maior fabricante
independente de baterias para veículos elétricos da região, utilizam tecnologia
de RV habilitada por 5G para colaboração, mesmo estando há uma distância de
cerca de 112km. Com as sessões colaborativas feitas nesse formato, os
engenheiros conseguem identificar os erros e corrigi-los, fazendo com que o
processo de design da bateria seja mais econômico.
Além
de manufatura, a cultura e o entretenimento também utilizam essas tecnologias,
como é o caso de bibliotecas e museus que adotam exposições imersivas com
projeções de ambientes reais, imaginários, históricos ou até mesmo extintos.
Utilizando dispositivos como tablets, headsets, smartphones o público consegue
manipular objetos digitais e explorar esses recursos de forma mais divertida.
Outro
mercado que tem inserido essas realidades é o varejo. Diversas marcas utilizam
esse recurso em ações de marketing e para melhorar a experiência de compra dos
consumidores. Por meio de aplicativos há possibilidade de testar produtos
utilizando reconhecimento facial, já os espelhos virtuais ou provadores
digitais permitem que o cliente identifique o tamanho ideal da roupa. Além da
comodidade de não precisar se deslocar até as lojas, isso facilita para o
mercado identificar as características do consumidor e fazer sugestões mais
assertivas.
Com
o investimento das empresas de diversos setores nessas tecnologias, acredito
que teremos uma constante evolução no uso da realidade virtual e aumentada nos
próximos anos. Estamos em um período em que as inovações estão se formando
rapidamente, a tendência é que esse recurso seja aprimorado cada vez mais para
acompanhar o ritmo acelerado das novas tecnologias.
