Oportunidades no E-commerce em 2022
*Por Marcelo Dantas
A
crescente do e-commerce que teve início em 2020 não tem data para terminar. O
setor continua comemorando os bons resultados e, infelizmente, eles estão
atrelados à crise pandêmica que se instalou de forma global. Por causa das
variantes que não dão tréguas à população, as pessoas continuam evitando sair
de casa e dão clara preferência para o comércio online, mantendo-se afastadas
dos locais com aglomeração.
Uma das grandes
oportunidades são os novos usuários, que conheceram o e-commerce ao longo da pandemia
e tendem a permanecer, se tornando clientes assíduos dos meios digitais. Se
analisarmos por região, o Sudeste ainda se destaca em volumes de compras.
Porém, as demais regiões têm apresentado crescimento significativo também,
sobretudo o Nordeste. Atualmente, ele ocupa a segunda posição em total de
vendas no e-commerce, concentrando 14,6% das que foram realizadas entre outubro
e dezembro de 2020. A região Sul segue próxima, com 14,1% do total de pedidos
realizados. Ou seja, há muitas oportunidades fora do eixo Rio-São Paulo.
Outro fator
decisivo para a conquista de novos consumidores é a segurança na hora da
compra. Os novos consumidores que vêm descobrindo agora as facilidades do
comércio digital ainda têm receio de informar dados pessoais para finalizar as
compras, especialmente número de cartão e chave de segurança, requeridos no
momento do checkout. Isso, muitas vezes, faz com que não arrisquem comprar em
sites novos, dando preferência às lojas já conhecidas. Quanto mais as empresas
investirem em segurança e transmitirem firmeza aos consumidores, maiores as
chances de capturar clientes.
Sem dúvidas, o
avanço tecnológico está proporcionando maior integração das pessoas ao varejo
online. Por isso, além de aprimorar a segurança, é fundamental estar atento às
tecnologias capazes de aproximar a experiência de compra online e offline para
atrair mais clientes para o universo online e vencer a retração. Vejo como
tendência a inclusão do metaverso no varejo eletrônico, por meio de ferramentas
de realidade aumentada, por exemplo.
Embora o
e-commerce seja um dos setores mais promissores para os próximos anos, não
basta surfar a onda; é essencial pensar em formas de fazer melhor e mostrar as
potencialidades da compra online. Em tempos de crise, a recomendação é se abrir
para novas tecnologias e não ter medo de abrir a cabeça para novas
possibilidades. Afinal, é muito melhor jogar no ataque do que na defesa.
Um desafio que
precisa ser ressaltado é o recuo do poder de compra. Isso já foi percebido pelo
setor no Natal e na Black Friday, quando as intenções de consumo foram
derrubadas pela inflação de 10% este ano, somadas aos juros e ao desemprego
elevado.
Uma pesquisa da
plataforma V+ do Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo (Ibevar),
realizada por meio de algoritmos de inteligência artificial e análise
semântica, analisou 28 produtos de diferentes categorias, como alimentos e
enfeites natalinos, eletroeletrônicos, eletrodomésticos, móveis, itens de
informática, telefone celular e artigos de vestuário. Por meio dessas
ferramentas, foram extraídos dados de 100 mil manifestações espontâneas em
redes sociais e o resultado foi impressionante: entre as categorias
pesquisadas, apenas cinco apresentaram aumento na intenção de compra em relação
ao Natal de 2020. São elas micro-ondas (3%), drones (31,2%), jogos eletrônicos
(42%), consoles de videogames (70%) e panelas elétricas (270%).
Os dados coletados
indicam recuo médio de 24% na intenção de compra para os 28 itens. Alguns
tiveram registros de queda de até 40% na intenção de consumo, caso smartphones,
fones de ouvido (38,2%), bicicletas (33,8%), TVs (30,1%) e tablets (29,5%) - o
que representa a maior retração observada na pesquisa de intenção de consumo de
Natal desde 2016, equivalente a 7%.
A principal
questão para os varejistas online é como manter as margens em um ano cuja
perspectiva econômica não é muito diferente, com altos custos para os
e-commerces e sem mencionar a escassez de matéria prima, que deve se repetir.
Apesar das
preocupações, os ventos continuam a soprar a nosso favor. É apenas uma questão
de saber aproveitar e maximizar as oportunidades.
*Marcelo Dantas é
CEO da Estrela10
