Omnichannel: como modernizar essa estratégia no Brasil
*Por Carlos Alves
Você entra em uma livraria procurando o livro novo de seu autor predileto.
Encontra, mas acha o preço salgado e desiste de comprar. Faz então uma pesquisa
na internet e descobre que a mesma livraria oferece o produto mais barato no
e-commerce. Sem titubear, compra o livro e pede para retirá-lo no dia seguinte
em uma loja próxima. Essa integração de diversos canais de venda (internet,
aplicativo, lojas físicas, marketplace e telemarketing) é o que chamamos de
Omnichannel ou multicanalidade.
Nós, brasileiros, já conhecemos há tempos essa forma de consumir. Mas isso
não significa que o Omnichannel brasileiro funcione, certo? Afinal, quantos de
nós já não passamos por uma experiência ruim ou ouvimos relatos frustrantes? Da
diferença no atendimento entre os canais de venda à constatação de que a marca
em questão possui departamentos que simplesmente "não se conversam",
o e-commerce brasileiro ainda tem um longo caminho a percorrer.
Pesquisa da Associação Brasileira de Comércio Eletrônico (Abcomm) realizada
em parceria com a Brazil
Panels revelou onde estão esses gargalos. Um deles é a política de
preços. A pesquisa mostrou que 75% dos vendedores não quiseram ou não puderam
equiparar preços com a loja virtual para não perderem a venda. O estudo, feito
a partir da experiência de clientes ocultos, revelou que em alguns casos os
vendedores se mostraram agressivos ao constatar que os compradores estavam
comparando preços pelo celular. Aliás, o percentual de "vendedores
agressivos" aumentou de 8% em 2014 para 17% em 2017, de acordo com o
levantamento.
E está aí um dos pontos de melhoria e modernização: treinar e capacitar o
time de vendas das lojas físicas. Afinal, você não quer um vendedor agressivo,
certo? É importante que o profissional não encare o e-commerce como seu
concorrente e que ele entenda a experiência do cliente com a marca para qual
trabalha.
Outro ponto importante é a má gestão de dados. Muitas vezes, não há uma
operação unificada de todos os canais que mostre onde esse cliente está
comprando. Sabe aquele e-mail marketing que o consumidor recebeu com uma
promoção justamente sobre o produto que acabou de comprar na loja física? Por
um preço mais alto? É disso que estou falando. É frustrante para o cliente e
você pode jogá-lo nos braços do concorrente.
Por isso, e acho que essa é a principal dica para quem quer modernizar seu
Omnichannel, estudar o perfil de seus clientes e definir qual a melhor
experiência são os primeiros passos. Afinal, investir em todos os canais
possíveis de forma desestruturada pode acabar espantando a clientela. Ademais,
na conta desse prejuízo pode somar o investimento em marketing e tecnologia
aportados em vários canais, mas que não trouxeram retorno esperado.
Pense bem, hoje as empresas têm a obrigação de oferecer a melhor experiência
ao consumidor empoderado. Ao adquirir um produto ou serviços, esses clientes
trazem todas as informações sobre preço, produto e experiência na
"bagagem", chegam ao canal de vendas munidos de certezas e
exigências. Afinal, esses usuários sabem o que quer, quando quer e o que está
disposto a pagar. Mas, e a sua empresa, já está preparada para suprir essa
demanda em todos os canais em que atua?
*Carlos Alves é Diretor de Marketplace da Associação Brasileira de Comércio
Eletrônico (ABComm), Head de E-Commerce na Riachuelo e Vice-presidente da ABLEC
sendo um dos precursores dos shoppings virtuais no país e o primeiro lojista a
integrar em uma mesma plataforma todos grandes players nacionais.
