O Futuro das Fintechs
*Por Gustavo Alves
As fintechs, um termo que surgiu da união das
palavras financial e technology para as tecnologias e inovação aplicadas nas
soluções de serviços financeiros, deverão ser essenciais para a inclusão financeira
em 2022 e ainda têm um grande potencial de influência benéfica para os
brasileiros, sejam consumidores, empresas ou órgãos regulatórios.
Em 2021, as fintechs foram verdadeiras
protagonistas no cenário financeiro brasileiro, o que posicionou essas empresas
no ecossistema como precursoras da inovação, em um mercado amplamente
tradicional e até mesmo engessado.
Conforme a Distrito, o volume de investimentos no
setor financeiro de inovação foi de mais de US$ 3,5 bilhões em 2022, mais que
o triplo do que foi investido em 2019 (US$ 1,1 bilhão) e uma quantia consideravelmente
maior do que os aportes de 2020, quando a cifra chegou a US$1,9
bilhão.
Trata-se de um cenário de grandes oportunidades
para os chamados neobancos, bem como para as prevtechs, savetechs e agtechs,
pois estes players passaram a ofertar soluções melhores, com base em
tecnologia, em grande escala.
O apoio do governo com as iniciativas do open
banking são uma indicação dos benefícios destas novas ofertas, bem como o PIX
que revolucionou o mercado de transferência de valores e pagamentos brasileiro.
Ou seja, com as vantagens para toda a cadeia, as fintechs devem despontar em
2022 como as startups mais inovadoras e como consequência, ainda mais atraentes
para investidores.
As tendências para o setor incluem especialização
em verticais e mercados específicos para iniciativas em crédito, meios de
pagamento e investimentos. Além disso, as tecnologias em cloud computing BaaS
(Banking as a Service) e FaaS (Fintech as a Service) deverão ganhar força ao
passo que a segurança, velocidade, entre outros benefícios fiquem claros para
os usuários e as organizações.
Neste sentido, a infraestrutura das áreas
financeiras como o back-office e a automação resolverão questões complexas e
manuais, enxugando os custos de operações.
Outra inovação que fará parte do cotidiano dos
brasileiros será o chamado "beyond banking" no qual as fintechs irão extrapolar
os serviços financeiros e passarão a oferecer produtos em outros setores que
facilitem a vida dos seus clientes, inovando ainda mais em suas entregas.
As oportunidades de parcerias entre empresas são
outra tendência que deve se acentuar este ano, seja para empresas tradicionais,
startups ou ainda organizações públicas. O objetivo será sempre facilitar o
acesso aos produtos e a inclusão financeira.
Diante de tanta inovação, as fronteiras deverão
ainda ser transpostas pelas fintechs brasileiras, principalmente as que tiverem
foco em questões como ESG, que geram impacto positivo para todo o mundo,
principalmente em um cenário de crise ambiental e de saúde pública.
Em 2022, outra tendência é a chegada das
criptomoedas no universo financeiro tradicional, junto do chamado NFT - token
não fungível, um ativo digital que reside em uma blockchain, que possui valor
monetário e é utilizado para autenticar e rastrear a origem de uma mídia
digital (JPEGs, arquivos de música e até jogos). Isso deve abrir inúmeras
possibilidades para a atuação de fintechs.
A Web3 é uma evolução da internet com base na
descentralização, permitida graças ao blockchain, uma tecnologia nascida no
universo financeiro digital, que protege o conteúdo desenvolvido pelos usuários
e oferece ainda, um número maior de mecanismos que garantam transparência na
coleta e destinação dos dados. Desta forma, estará no centro das estratégias
das fintechs mais inovadoras.
Com um cenário favorável à inovação com o Open
Finance que seguirá os passos do open banking e do open insurance em curso no
Brasil, 2022 deve atrair muitos investidores de todo o mundo, assim como o
intercâmbio de startups vindas de outros países e a crescente atuação de
fintechs nacionais no exterior.
Podemos esperar um mundo de oportunidades neste
setor em 2022, mas também alguns desafios que incluem adesão, educação do
público e o avanço da regulação. Além disso, ocorrerá o aparecimento de novas
soluções e uma consolidação acentuada do setor, sendo que o horizonte promete
muitos benefícios para todos os agentes envolvidos.
*Gustavo Alves é CEO da Nagro
