Fulfillment: A revolução para a indústria de alimentos e bebidas
*Por João Alfredo Pimentel,fundador da 6place
(plataforma digital de abastecimento) e investidor-fundador do SCALEXOPEN
O fulfillment é definido pelo conjunto das operações que envolvem
os processos que vão do armazenamento, picking, packing e logística, incluindo
o pós-venda. Essa estratégia tornou-se mais popular durante a pandemia de
Covid-19, em 2020, quando as vendas online sofreram um boom e cresceram
quase 27%. Na época, cerca de 13 milhões de brasileiros efetuaram a sua
primeira compra pela internet em função das medidas restritivas que foram
anunciadas.
Ainda naquele ano, o país registrou um aumento de 53,83% no número
de e-commerces em relação a 2019 e um dos setores que mais impulsionou esse
crescimento foi o de alimentos e bebidas. Já no ano de 2021, o
hortifrutigranjeiro alcançou a maior expansão de vendas com 119,4%, seguido
pelo segmento de sobremesas e confeitaria (50,8%), bomboniere (48,9%), matinais
(29,2%) e de mercearia (22,7%), de acordo com dados do levantamento realizado
pela Webshoppers 45 em parceria com a Bexs Pay.
O aumento na abertura de empresas responsáveis pela entrega de
alimentos em domicílio de 2019 a 2021 (+76,6%) também contribuiu para que os
números fossem tão expressivos. A alimentação fora do lar, inclusive, superou
os 80% de adesão depois que as medidas de restrição foram estabelecidas,
segundo pesquisa do Instituto Locomotiva, encomendada pela VR Benefícios.
Diante disso, você pode se perguntar: qual a relação com o fulfillment e
onde está a tal revolução? A resposta é simples: processos mais práticos e
eficientes geram mais lucro com diminuição de custos para a indústria de
alimentos e bebidas.
A partir da solução, a indústria envia a mercadoria para o centro
de distribuição e é o terceirizado quem responde pela entrega para o cliente
final. Deste modo, é possível otimizar as despesas de armazenamento e
logística, permitindo o aumento na competitividade no mercado em que opera. Sem
a necessidade de um armazém próprio (que pode demandar custos fixos com
manutenção da estrutura física, segurança e pessoal), cria-se a possibilidade e
oportunidade de expansão da abrangência para o atendimento de novas demandas.
Com isso, a capilaridade das vendas também cresce.
Ou seja, além dos benefícios supracitados e da otimização dos
níveis de estoque (de produtos acabados, matéria-prima e de produção), o fulfillment
também propicia a administração compartilhada, a previsibilidade de prazos de
entrega e de aquisição de novos estoques. Isso gera maior nível de confiança
por parte do consumidor e do próprio marketplace, uma vez que a entrega é
garantida em qualquer cidade do território nacional no qual atua o parceiro
logístico.
Para o segmento de foodservice, a solução garante mais
agilidade, maior nível de satisfação, redução de custos com base em estratégias
e maior previsibilidade no abastecimento. Trata-se, portanto, de uma
alternativa que tende a crescer ainda mais em 2023, viabilizando o acesso
(principalmente) dos pequenos negócios a indústrias homologadas com preços e
condições melhores para compra e pagamento. É por isso que o fulfillment já é
considerado uma grande tendência no setor.
