Como os Varejistas Podem Usar Dados para Sair Mais Fortes da Crise da Cadeia de Suprimentos?
*Por Marta Clark
Apesar
de o comércio varejista começar a sentir uma ligeira melhora desde
janeiro desse ano, com um crescimento acumulado de 3% nos dois primeiros
meses, o setor ainda se encontra 1,0% abaixo do patamar pré-pandemia (fevereiro de 2020), e 6,5% abaixo do pico da série (outubro de 2020).
A pandemia trouxe não só o desafio de voltar a crescer, mas
principalmente obrigou os varejistas a novas formas de pensar e
implantar processos, exigindo um perfil cada vez mais ágil e adaptável
às novas exigências dos consumidores.
Em
um esforço para inovar e oferecer aos compradores o melhor serviço
possível, ao mesmo tempo em que geram mais ganhos de eficiência, muitos
comerciantes investiram em soluções digitais alternativas para responder
rapidamente às mudanças nas condições do mercado.
Embora
a reformulação dos modelos de negócios e a adoção de estratégias
digitais tenham exigido muita energia e um investimento monetário
significativo em um momento em que ambos eram escassos, a boa notícia é
que esses esforços não foram desperdiçados. Os varejistas agora têm a
opção de capitalizar esses dados de clientes e refiná-los ainda mais
para extrair insights relevantes para preparar suas estratégias para o futuro e emergir ainda mais fortes.
Desmistificando dados por meio de análises
Os
varejistas capturam todos os tipos de dados - desde informações de
estoque e preços até dados de clientes, transacionais e operacionais.
Esses mesmos varejistas, no entanto, muitas vezes lutam para fazer uso
prático desse recurso para orientar decisões, apoiar estratégias para
vencer as adversidades do mercado e identificar oportunidades para
atender às preferências em constante mudança dos clientes.
A
chave aqui é a ciência de dados, que pode ser usada para transformar
informações brutas de dados de ponto de venda ou de cestas de compras
digitais em insights dinâmicos de comportamento de consumo do cliente
para impulsionar a tomada de decisões. Ao aplicar ciência e análise de
dados a essas informações, todos os varejistas podem gerar insights
orientados por dados que ajudam a entender melhor o desempenho da linha
de produtos, criar promoções personalizadas para aumentar as vendas ou,
até mesmo, criar uma experiência do cliente mais envolvente e
gratificante em toda a jornada de compra.
Garantir
que as mercadorias sejam entregues no prazo, sempre, agora é mais
importante do que nunca, considerando as interrupções recentes. Para
atingir esse objetivo, incorporar análises em processos e operações - ao
longo de toda a cadeia de suprimentos - é vital para ajudar a garantir
que os produtos fluam do fabricante para o parceiro de logística e para o
cliente, sem atrasos. Essas análises podem contribuir para prever se
uma remessa chegará ao seu destino no prazo, bem como fornece
recomendações e alternativas para melhorar o desempenho da entrega em
nível micro e macro.
O
ano passado destacou o quão frágeis as cadeias de suprimentos globais
podem ser, e os varejistas agora precisam permanecer vigilantes antes da
próxima crise. Os profissionais da cadeia de suprimentos devem investir
mais em tecnologia, priorizando, nos próximos anos, análises avançadas e
inteligência artificial para atender a essa necessidade, mas também
pode ser feito mais por parte do varejista.
Ao
usar um software projetado especificamente para identificar dados para
otimizar seu estoque ou modelo e analisar sua cadeia de suprimentos, os
varejistas podem garantir várias vantagens. Por exemplo, usando
previsões anteriores para ajudar a treinar modelos preditivos que podem
otimizar o estoque e reduzir os prazos de entrega para aumentar a
eficiência em toda a cadeia de suprimentos. Construir essa visibilidade
da cadeia de suprimentos pode ajudar os varejistas a planejarem
contingências, bem como encontrarem fornecedores alternativos se algo
acontecer com sua fonte regular. O tema central aqui é identificar e
implementar estratégias para impulsionar a resiliência - para avaliar a
demanda antecipadamente e melhorar sua capacidade de fornecimento.
Ao
combinar dados internos com fontes externas, como previsões
meteorológicas em tempo real e informações de remessa, os varejistas
podem prever dinamicamente a demanda para antecipar a escassez de
produtos e as tendências de compra. Esses insights podem informar
decisões como adiar uma redução planejada de dias de estoque de inverno
antes de uma grande frente fria ou definir contingências para - e
reagir rapidamente a - uma possível interrupção da cadeia de
suprimentos, como um contêiner bloqueando uma importante artéria de
suprimento global.
De olho nos dados
Em
vez de contratar cientistas ou analistas de dados caros, os varejistas
agora podem fornecer a seus funcionários existentes tecnologias
inteligentes de autoatendimento para ajudá-los a interpretar esses dados
corretamente e até automatizar esses processos para aumentar ainda mais
essa eficiência. A aplicação de inteligência humana a análises
automatizadas ainda é necessária para produzir conhecimento valioso e,
com os varejistas já motivados a melhorar a experiência do cliente
sempre que possível, o software analítico fácil de usar representa outra
corda para seu arco.
As
pessoas continuam sendo a chave para a transformação digital orientada
por dados e a qualificação da força de trabalho em alfabetização e
análise de dados é uma parte crítica de qualquer estratégia de
transformação bem-sucedida. O desafio para os varejistas é capacitar
seus funcionários de back-office com as ferramentas de dados corretas.
Somente quando um funcionário do varejo pode acessar os dados
disponíveis, analisá-los e, em seguida, sugerir ou implementar uma
melhoria com base nos resultados, a empresa pode otimizar seus processos
e se afirmar frente à concorrência. Por outro lado, as empresas que não
estão democratizando o acesso a seus dados ou capacitando seu pessoal
para realizar análises transformadoras, terão dificuldades para
antecipar as mudanças nas necessidades dos clientes, fortalecer as redes
de fornecedores e permanecer no topo da logística para responder
rapidamente em uma crise.
Os
varejistas que esperam conquistar uma posição em seu mercado mais forte
precisam aproveitar e alavancar o poder de seus dados em sua tomada de
decisão - avaliando e identificando fornecedores alternativos,
estratégias de backup e picos de demanda para ter sucesso. Muitas
empresas podem não perceber, mas estão sentadas em uma mina de ouro de
dados. Uma vez que esses dados sejam acessados, analisados e
democratizados, eles serão a chave para atender continuamente ao acordo
central entre consumidor e vendedor - a disponibilidade confiável do
produto - mesmo que as cadeias de suprimentos continuem a se fragmentar.
*Marta Clark, vice-presidente LATAM, Alteryx Inc.
26/05/2022
