Como a Tecnologia Poderá Salvar o Varejo - E Não Acabar com Ele
*Por João Stringhini
O setor supermercadista é um
dos mais presentes e ativos no dia a dia das pessoas, além de ser um dos que
mais movimenta a economia do país. Mesmo poderoso, o segmento sofre com as
transformações no varejo, caminhando em direção à implementação de tecnologia
no setor. Importante lembrar que tecnologia não se trata apenas de software ou
sistemas, mas reflete um mindset e comportamento. A tecnologia engloba um
conjunto de metodologias e conhecimentos que auxiliam pessoas a realizarem
tarefas de maneira mais eficiente e ágil. A indústria já se apropriou destes
conceitos, mas em Santa Catarina vemos que o varejo ainda é muito carente neste
sentido.
Pensando nisso, foi assinado
no último mês de junho, durante a Exposuper, um termo de colaboração para
inovação no ecossistema de varejo catarinense entre a Associação Catarinense de
Tecnologia (ACATE) e a Associação Catarinense de Supermercados (ACATS). A
parceria busca criar um ambiente inovador para o varejo, focado em promover o
uso de tecnologia no setor supermercadista. A primeira atividade objetiva do
termo de cooperação já está em andamento e se trata do estudo Cenário
Tecnológico do Setor Supermercadista de Santa Catarina, que vai oferecer
insumos para embasar as demais atividades.
O objetivo principal do
estudo é, a partir do mapeamento de dores e desafios dos gestores de varejos,
levar tecnologias que vêm sendo desenvolvidas no Estado para o setor e
aproximar essas duas realidades, que ainda percebemos como muito distantes. Os
supermercados estão vivenciando um temor às novas tecnologias como se, por
conta delas, corressem o risco de deixarem de existir. A ideia desta pesquisa
é, então, mapear esses receios e entender como as soluções desenvolvidas por
empresas de tecnologia voltadas ao varejo podem agregar e facilitar o dia a dia
dos gestores desses comércios, além de trazer maior eficiência, automatização
e, consequentemente, sustentabilidade e escalabilidade para os negócios.
A metodologia do estudo
Conduzido por uma equipe de
psicólogos treinados especificamente para este estudo, o processo constará da
realização de entrevistas qualitativas, entendendo as dores, desafios e
opiniões das pessoas por trás dos negócios. A pesquisa será aplicada nas seis
mesorregiões de Santa Catarina e em cada uma delas serão analisados pequenos,
médios e grandes varejos. Dentro de cada um destes negócios, os psicólogos
farão entrevistas com duas figuras centrais para o estudo, focado na obtenção
de diferentes percepções da operação varejista: o líder estratégico, que
corresponde à pessoa que dá identidade e rosto ao negócio e expressa seus
valores; e o líder de campo, entendido na pesquisa como a pessoa que está
diretamente ligada à operação diária. Os insights obtidos a partir das
conversas irão possibilitar ao estudo entender o contexto do varejo catarinense
hoje, como ele está adaptado às tecnologias, e de que forma isso pode ser
otimizado no futuro.
As coletas de campo já foram
iniciadas e nós estamos muito otimistas com os frutos que este estudo poderá
trazer para o ecossistema de varejo de Santa Catarina. A publicação dos
resultados ocorrerá no próximo mês de setembro e, a partir disso, poderemos
entender com mais clareza de que maneira as empresas de tecnologia podem
se aproximar do varejo e agregar ao contexto identificado.
*João Stringhini é Business Development na Involves.
