Como a gamificação pode diminuir o turnover nas empresas
Pedro Reis, sócio-fundador da startup VIK
A tendência de
estar alinhado com o propósito do local em que trabalhamos, sabendo integrar
vida pessoal e profissional, atualmente, se torna um fator indispensável na
hora de permanecer em uma empresa. Hoje, mais do que um bom salário e benefícios,
o colaborador procura felicidade e qualidade de vida, onde consegue contribuir
para o crescimento daquela corporação. As empresas, por sua vez, querem
diminuir os gastos extras com os funcionários - como o absenteísmo, por exemplo
- e procuram formas de implementar medidas internas que proporcionam bem-estar
para aqueles que trabalham lá.
As organizações
que ainda insistem naquele modelo de gestão 'engessado', em que enxergam os
colaboradores como um número, devem se reinventar para permanecerem com seus
talentos. O funcionário precisa sentir que ele é a essência e a base da
empresa, pois, além dessa sensação de pertencimento aumentar sua produtividade
e autoestima, evita o esgotamento/estresse, melhorando a saúde da equipe como
um todo. Empresas que não querem se atualizar vão ver seus membros se
desligando da corporação por diversas causas, entre elas: insatisfação com o
local de trabalho, problemas com liderança, falta de autonomia, desmotivação,
problemas de saúde e até a cultura empresarial.
Não é à toa que o
tema humanização cresce a cada dia. Nesse movimento, as empresas buscam se
engajar em projetos sociais, esportivos, culturais e investem no bem-estar dos
colaboradores, com o intuito de driblar essa desestimulação e alta rotatividade
de pessoas. Dessa forma, implementam programas de gamificação e saúde para
funcionários. Isso pode acontecer por meio de técnicas de atividades físicas
para incentivar e cativar as pessoas por intermédio de desafios constantes e
bonificações.
De acordo com um estudo
realizado pelo Mestre e Doutorando em Educação Física Aylton J. Figueira
Júnior, na UNICAMP, organizações que investiram em programas de qualidade de
vida apresentaram um aumento médio de 39% na produtividade do colaborador, além
de mudanças no comportamento - como diminuição dos hábitos degenerativos à
saúde - redução nos gastos com o seguro saúde, redução de 20% a 25% em
acidentes no local de trabalho, redução de 15% a 20% do absenteísmo e 10% a 15%
na rotatividade, bem como uma queda de 20% a 25% no número de acidentes dos
funcionários.
A saúde e a felicidade são a chave para o turnover
Uma das únicas
coisas que temos em comum é o tempo. Seguimos uma rotina de sete dias na
semana, 24 horas e 1440 minutos em um dia. Para uma vida em equilíbrio,
precisamos separar um momento para trabalhar, dormir, se dedicar aos estudos,
alimentação, hobby e não podemos esquecer da atividade física. Mas, muitas
vezes, parece que esse tempo não "fecha" e muitos colaboradores se
sentem cansados, estressados/sedentários, o que afeta o rendimento e o índice
de insatisfação no trabalho - aumentando o turnover.
Por isso, essas
empresas mais inovadoras e que fazem uso de atividades físicas com a
gamificação pensando no bem-estar do funcionário, tendem a ter uma rotatividade
mais controlada, devido a consciência e preocupação com a humanização do
colaborador. As boas organizações também precisam investir na qualidade de vida
dos membros da equipe para evitarem, futuramente, gastarem com doenças causadas
pelo sedentarismo, por exemplo.
Acredito que a
gamificação traz benefícios tanto no fator individual como no coletivo. No
fator individual, como já comprovado por diversos estudos científicos e na
prática pela população, uma pessoa ativa fisicamente se sente melhor, mais bem
disposta e com mais autoconfiança. Isso faz com que ela produza mais, se engaje
com projetos da empresa e se sinta empoderada para evoluir em outras
competências comportamentais/técnicas - que podem levar a um salto na sua
carreira. No fator coletivo, temos um ganho muito grande na integração entre
pessoas que nem se conheciam e por meio de programas de gamificação passam a
ter metas e objetivos compartilhados, tornando-se amigos.
Existe um relato
da Ferrous, mineradora brasileira, que traduz bem o cenário em que vivemos:
"As pessoas agora são pessoas e não mais crachás. As áreas agora são
pessoas e não departamentos. Agora, a gente se conhece de verdade". É
nesse sentido que as empresas devem trabalhar para manter seus talentos em sua
equipe. Humanização e gamificação andam de mãos dadas, a felicidade e saúde do
colaborador está associada ao bom desempenho de uma empresa. Gosto de brincar
que programas de gamificação deixam a empresa mais leve e mais rápida,
proporcionando maiores resultados de forma natural.
*Pedro Reis já
disputou duas vezes o IronMan, oito meia-maratonas e dez triatlos. É
sócio-proprietário da a VIK, uma startup que oferece um programa de gamificação
com 100% de abrangência para empresas. Com o lema principal de transformar
vidas e ajudar as pessoas a saírem do sedentarismo, a VIK transforma um
programa de saúde em uma competição saudável e prazerosa, além de proporcionar
integração entre os funcionários de grandes organizações. Por meio de uma
plataforma digital, os participantes poderão acompanhar o passo a passo do
desafio, em qualquer lugar do mundo, além de terem acesso ao seu rendimento.
