A Digitalização e o Futuro do Pagamento no Brasil
*Por José Pires Neto,cofundador
da FortBrasil
Efetuar um pagamento é um ato cada vez mais cômodo
e natural para consumidores no mundo inteiro. Do dinheiro, evoluímos para
cartões de débito e crédito. Agora, novos métodos digitais estão ganhando
força. Em 2020, vimos o lançamento do Pix e, em 2021, se tornou possível
transferir quantias por aplicativos de mensagens instantâneas, como, por
exemplo, o WhatsApp.
Quando somamos
às novidades a popularização das carteiras digitais e de pagamentos sem contato
via NFC ou QR Code, só uma conclusão é possível: o mercado de pagamentos
brasileiro está em intensa transformação.
O comportamento
do consumidor brasileiro, sempre ávido por novidades tecnológicas, aliado à
necessidade de evitar espaços com aglomerações, impulsionou muitas novidades na
relação com as instituições financeiras, como bancos, fintechs e operadoras de
cartões de crédito
Para um
exercício de comparação e até mesmo previsão de um futuro próximo, podemos
olhar para mercados onde esses novos formatos já estão mais estabelecidos. Na
China, talvez a principal precursora desse movimento, 86,4% dos usuários de
internet também já utilizaram a rede para realizar pagamentos em 2020. Se
trouxermos essa proporção para a base de brasileiros com internet, teríamos um
público potencial de 115 milhões de pessoas.
Ainda falando do
mercado chinês, o número total de transações via dispositivos móveis realizadas
em 2020 foi superior a 123 bilhões, movimentando 432 trilhões de yuan (cerca de
US$ 66
trilhões). No Brasil, o número de transações superou 52,9 bilhões em 2020. É
claro que os países estão em estágios bem diferentes de digitalização, mas os
números mostram que esse movimento não é uma tendência, mas já uma realidade.
Por aqui, a
digitalização também já impulsionava o varejo, mas o setor foi fortemente
modificado pela pandemia. Nos últimos meses, muitos consumidores que só
recorriam às compras online quando não havia outra opção, se tornaram adeptos
do e-commerce, enquanto outros incorporaram a praticidade do delivery às suas
vidas -- seja para pedir comida, seja para realizar as compras da semana.
Foi nesse
período de transformações das demandas do consumidor e das estruturas das
empresas que o sistema regulatório também fez a sua parte. Vimos movimentos
positivos de instituições bancárias e do próprio Banco Central, idealizador da
implementação do Pix e do Open Banking no País.
Com um
ecossistema inteiro engajado em inovação, o mercado ganhou transparência e o
varejo foi capaz de prover um consumo ágil para seus novos e antigos clientes.
Como resultado, o consumidor de hoje se afeiçoou a essa experiência prática na
palma da mão. Segundo o Relatório de Varejo 2021, da Adyen, 90% dos brasileiros
dizem que não comprarão de marcas que ofereçam uma experiência ruim, online ou
offline.
E, por falar em
conveniência, os canais de venda desenvolvidos para aplicativos de mensagem e
redes sociais também ganharam mais espaço. Se antes o comércio conversacional
era principalmente focado em solucionar dúvidas e agilizar o atendimento ao
cliente, agora é possível realizar uma compra completa pela plataforma, do
primeiro contato do vendedor até a conclusão do pagamento -- tudo em um mesmo
ambiente.
Isso é
especialmente importante quando consideramos o papel estratégico do pagamento
no varejo. Afinal, a conclusão do pagamento é o veredito final sobre a eficácia
do trabalho das equipes de venda e marketing. Ao garantir o mínimo de fricção,
a tecnologia entrega uma boa experiência e ajuda a fidelizar clientes. Com uma
plataforma pronta para unificar todos os novos canais de venda, o varejista
consegue visualizar e entender o comportamento do consumidor em cada lugar e
preparar ofertas e fluxos que façam sentido. Além disso, ganha-se também com
facilidade operacional, uma vez que os relatórios e a reconciliação ficam
concentrados em um único sistema.
Porém, como em
todo o ambiente de forte inovação, o desenvolvimento de novas tecnologias não
pode deixar de lado o aspecto da segurança. No caso específico de pagamentos,
novidades costumam chamar a atenção de fraudadores, o que pode impactar
negativamente a experiência de todos os atores envolvidos em uma transação. E
como costuma-se dizer que a primeira impressão é a que fica, é importante que
todos esses pontos sejam levados em conta ainda durante o desenvolvimento de
novas tecnologias.
Vale lembrar
que, hoje, a segurança não se limita às informações de cartões de crédito e
débito, protegidas globalmente pelo PCI DSS (Padrão de Segurança de Dados da
Indústria de Cartões de Pagamento). A adaptação dos processos internos para
regulações nacionais, como a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), é um
exemplo de como esse desafio se tornou ainda mais complexo.
Com tantas
mudanças em tão pouco tempo, é natural que surjam muitas dúvidas sobre como
será o mercado financeiro. E entre as grandes possibilidades que guiarão estas
mudanças, estão:
Inteligência
Artificial
Dados da
FEBRABAN indicam que 80% dos bancos já estão aumentando seus investimentos em
soluções que convergem Inteligência Artificial e computação cognitiva.
Com isso, as
máquinas terão capacidade cada vez maior de prever possíveis comportamentos dos
clientes, sugerir investimentos e automatizar informações personalizadas com
alto grau de interesse por parte do público.
Blockchain
É uma tecnologia
antifraude desenvolvida para transações com criptomoedas, mas que se
popularizou para outros tipos de transações financeiras.
Nesse sistema,
são utilizadas cadeias de blocos com distribuição descentralizada, em que cada
bloco de informações é salvo em um único sistema de criptografia complexa.
Big Data
Utiliza recursos das análises preditivas que
permitem o entendimento mais aprofundado sobre os perfis de clientes.
Tem altíssima
capacidade de analisar algoritmos em transações, identificando imediatamente
possíveis tentativas de fraude.
Com tantos
recursos e ferramentas sendo desenvolvidos, não há dúvidas de que em um curto
prazo a relação do público final com transações financeiras será totalmente
remodelada.
Dessa forma, a
nova era que vivemos evidência a importância das empresas investirem na área da
segurança da informação. Pensando assim, em estratégias para gerenciar os novos
processos de pagamentos, ferramentas e um conjunto de políticas que possam
prevenir e responder a quaisquer ameaças aos dados digitais da organização e
seus clientes.
Construir toda
essa estrutura dentro de casa pode ser extremamente desafiador. Por isso,
contar com um parceiro de confiança que entregue tecnologia de ponta pode ser o
caminho mais rápido para empresas que não queiram ficar de fora da construção
do novo varejo brasileiro.
