A Black Friday 2024 já começou
*Por Dionaldo Passos, diretor da BU de Supply Chain da Neogrid
A Black Friday já está no imaginário brasileiro quase com o mesmo peso para quem nasceu ou mora nos Estados Unidos, mudando apenas o sentido de pós-feriado para uma data de presentes mais baratos. Em terras tupiniquins, a Black Friday chegou oficialmente em 2010 e, de lá para cá, evoluiu, passando a alcançar todo o comércio varejista do país e envolver grandes compras, como concessionárias de veículos e venda de imóveis.
Olhando mais a fundo para a situação da Black Friday no Brasil, passamos por um 2023 não tão imponente, com queda de cerca de 16% nas vendas totais quando comparadas com o ano anterior. Para o mercado de eletrônicos a diminuição foi menor, na casa dos 14%, apesar de o tíquete médio ter crescido 2,1% no ano passado.
Ainda temos uma economia pouco acelerada e outro ponto importante é justamente a quantidade de Black Fridays que temos no ano, especialmente para compras alguns dias antes do próprio evento, que acontece sempre na quarta sexta-feira do mês de novembro. Esse momento do calendário já inicia com praticamente todo o comércio trabalhando no “Esquenta” e distribuindo algumas das vendas nos mais de 25 dias que antecedem a Black Friday.
Assim, a quarta sexta-feira de novembro já começa com compradores que gastaram alguns dias antes e não voltam para comprar - ao menos não com o mesmo valor na carteira - ou diluem compras pequenas durante o mês.
Em 2024, a Black Friday no Brasil deve seguir uma tendência mais positiva do que a verificada em 2023, até por conta dos possíveis cortes na taxa Selic, que entregam juros mais baixos e maior controle da inflação. Se esse cenário realmente vier a ocorrer, precisamos chegar ao dia 29 de novembro já com a mão na massa para manter não somente os preços realmente baixos, mas também conseguir entregar as compras em um prazo aceitável - eu mesmo já comprei uma árvore de Natal em promoção em novembro e a recebi somente uma semana antes da data.
Para conseguir tirar o problema da queda na Black Friday de 2023 da planilha de vendas deste ano, é importantíssimo que todo o varejo trabalhe com descontos “de verdade” que impedem a loja de receber o prêmio “metade do dobro” na internet. Falando nela, a web é o maior amigo para o menor preço ser visto, pois nesse momento de compras o consumidor encontra facilmente uma ampla opção de comparadores para buscar o melhor preço real.
Campanhas de marketing digital bem feitas, focadas em como cada rede social funciona, serão um divisor de águas para a Black Friday deste ano. Se o preço não puder receber o desconto desejado, convém pensar em outras formas para atrair clientes: subsidiar os juros para parcelamento e o frete.
Quando entramos na seara da tecnologia, a inteligência artificial (IA) necessitará ser utilizada com toda a força este ano, indo desde a precificação inteligente para cada cliente até gerir estoque com mais eficiência em um momento que vende mais que o próprio Natal.
Desde já, o trabalho para a Black Friday 2024 deve estar no cotidiano do varejo, principalmente para gestão de estoque, implementação de ferramentas com base em IA e negociação com fornecedores. Com estratégias adaptadas ao cenário de possível melhoria para as vendas nesse período, é possível atrair consumidores e vender mais, mesmo com a economia ainda em marcha lenta.
Some tudo isso e você terá o pacote ideal para uma Black Friday 2024 de sucesso, seja em vendas ou na fidelização do cliente para os outros dias do ano.
