7 Principais Tendências Globais de Comércio Eletrônico para 2022
*Por Andrei Dias
Queridinho
do varejo, o e-commerce brasileiro não para de crescer. Dados da
Neotrust mostram que o mês de janeiro passado registrou um faturamento
recorde, totalizando mais de 13,8 bilhões de reais, um crescimento de
21% em comparação a janeiro de 2021. Apesar de ter sido impulsionado
pelo isolamento social provocado pela pandemia,
o crescimento do e-commerce não deve recuar. Ao contrário: a melhora na
tecnologia e o aumento da confiança do consumidor em relação às compras
online devem acentuar ainda o crescimento do setor, que ainda é
considerado embrionário.
Mas qual é o tamanho do mercado global de comércio eletrônico?
Espera-se que o mercado global de comércio eletrônico totalize US$
5,55 trilhões em 2022. Estima-se que esse número cresça nos próximos
anos, mostrando que o comércio eletrônico sem fronteiras está se
tornando uma opção lucrativa para os varejistas on-line.
Há
dois anos, apenas 17,8% das vendas eram feitas a partir de compras
on-line. Esse número deve chegar a 21% em 2022 e a previsão é que o
crescimento continue, atingindo 24,5% até 2025.
De acordo com a eMarketer, as vendas no varejo online atingirão US$ 6,17 trilhões até 2023, com o comércio eletrônico representando 22,3% do total de vendas no varejo.
Perspectivas para o futuro do setor
Implementar
tecnologias capazes de aproximar a experiência de compra online e
offline, incentivando o consumo digital, é a principal missão de quem
atua no e-commerce. Destaco aqui sete grandes tendências para 2022:
1. Resiliência da cadeia de suprimentos
O
impacto que a pandemia causou nas cadeias de suprimentos gerou uma
grande repercussão em todo o mundo. Especialistas preveem que os
sistemas não serão normalizados até 2023, no mínimo.
2. Compras móveis e redes sociais
A
COVID-19 também impactou significativamente nas tendências do comércio
eletrônico, acelerando a mudança para as compras online em até cinco
anos.
O
varejo online continua a se expandir devido ao crescente uso de
smartphones e tablets. Em 2022, espera-se que as vendas de por
smartphones ultrapassem US$ 432 bilhões, acima dos US$ 148 bilhões em 2018. Os aplicativos de compras móveis estão se tornando mais populares entre varejistas e compradores.
Outra
faceta das compras móveis, as vendas nas redes sociais devem triplicar
até 2025. Enquanto apenas 30% dos consumidores dos EUA relatam comprar
produtos por meio de plataformas sociais, quase metade dos consumidores
da China já compram nas redes sociais, gerando mais de US$ 351 bilhões em vendas em 2021.
A
concorrência está aumentando, com 49% das marcas investindo em conteúdo
de comércio social em 2022. Espere por mais aplicativos de compras de
marcas, mais campanhas de marketing por SMS e Facebook Messenger e mais
conteúdo de comércio social no TikTok e no Instagram.
3. Compre agora, pague depois
A tendência compre agora, pague depois (BNPL)
não mostra sinais de desaceleração. Marcas bem estabelecidas na Europa
começaram sua mudança para os EUA e vários mercados globais.
Mobile,
cross-border (comércio transfronteiriço) e compre agora, pague depois
estão em alta, pois os consumidores mostram vontade de adotar novos
métodos de compra e pagamento.
Compre
agora, pague depois se tornará uma visão comum em caixas de todo o
mundo. À medida que as parcerias começam a se formar entre as marcas
BNLP, carteiras digitais e bancos, a BNLP assumirá a maior parte dos
pagamentos globalmente.
4. O metaverso e as compras interativas
As
marcas estão apostando nas compras virtuais e experimentando o varejo
de realidade aumentada e virtual em diferentes plataformas. O metaverso,
um mundo virtual 3D, elimina fronteiras para os consumidores. Pessoas
de todo o mundo podem experimentar produtos em um metaverso, não importa
onde morem.
Nike
e Gucci lançaram desfiles de moda dentro do jogo multiplayer Roblox. A
Adidas lançou uma coleção NFT com o famoso Bored Ape Yacht Club e lançou
experiências interativas no aplicativo de avatar social sul-coreano
Zepeto. A Balenciaga começou a vender roupas em Fortnite. Marcas de
beleza como Charlotte Tilbury construíram lojas virtuais em sua loja
online.
5. Crescimento do comércio eletrônico da APAC e da China
Até
2023, as vendas de comércio eletrônico de varejo na Ásia-Pacífico devem
ser maiores do que as do resto do mundo combinadas. Isso se deve a:
rápida urbanização e avanços tecnológicos; mais de 85% do crescimento da
nova classe média residindo na APAC; e uma série de iniciativas
governamentais e privadas na China.
As vendas de comércio eletrônico da China totalizaram cerca de US$ 2,1 trilhões em 2021, mais que o dobro do mercado dos EUA.
6. Localização de idioma
Mais de 67% dos consumidores globais pesquisados pela Flow﹒io
disseram que já fizeram pelo menos uma compra internacional em suas
vidas. Quase um em cada cinco entrevistados afirmou que a falta de
tradução do idioma era uma grande barreira para comprar em um site
estrangeiro.
Entre
os compradores que falam inglês, mais de dois terços dos entrevistados
disseram que não comprariam em um site não traduzido para o inglês. Nos
mercados japonês e sul-coreano, onde o comércio transfronteiriço foi
menor, esse número subiu para 41% e 36%, respectivamente.
Com
base em uma pesquisa com 8.709 consumidores globais em 29 países, a CSA
Research descobriu que 65% dos consumidores preferem conteúdo em seu
idioma, mesmo que seja de baixa qualidade. Além disso, 40% não comprarão
em sites em outros idiomas.
7. A indústria atacadista está online
No
ano passado, vimos a evolução do comércio eletrônico B2B, atraindo a
atenção de compradores, vendedores e investidores de todo o mundo. O
recente relatório de comércio eletrônico B2B da Statista mostra o
aumento de mercados verticais e especializados para compradores e
vendedores B2B. O Modern Retail relata que varejistas e marcas voltadas
para o consumidor estão investindo cada vez mais em mercados de
terceiros.
A
tendência também chegou ao comércio eletrônico por atacado. Atacadistas
como a UNFI estão lançando marketplaces em seus sites. Nos EUA, o
mercado atacadista Abound, com a missão de conectar varejistas
independentes e pequenos com atacadistas especializados, arrecadou US$23 milhões.
O
comércio eletrônico é uma indústria muito lucrativa, mas tem um
conjunto único de dificuldades. A fim de estabelecer as bases para o
crescimento é necessária a adoção de soluções tecnológicas projetadas
para melhorar o desempenho, o gerenciamento e o alcance da loja digital.
Assim, é possível superar esses obstáculos e, ao mesmo tempo, se
preparar para o futuro.
*Andrei Dias é Especialista em Retailtech e Head de Vendas da Nexaas
08/04/2022
