Querem Tornar o Brasil Careta


O diretor de criação da Giovanni+Draftfcb, que desenvolveu a campanha com a modelo Gisele Bündchen para a Hope, não poupou críticas ao contexto de “censura” que está sendo imposto no país, não só para a publicidade, mas para diversas criações culturais, seja para cinema, novelas, entre outros. Adilson Xavier revelou ao Portal Giro News em entrevista exclusiva que ficou surpreso com a repercussão da campanha e com o fato dela poder ser proibida. Clique em Leia Mais e confira a entrevista na íntegra.
O diretor de criação da Giovanni+Draftfcb, que desenvolveu a campanha com a modelo Gisele Bündchen para a Hope, não poupou críticas ao contexto de “censura” que está sendo imposto no país, não só para a publicidade, mas para diversas criações culturais, seja para cinema, novelas, entre outros. Adilson Xavier revelou ao Portal Giro News em entrevista exclusiva que ficou surpreso com a repercussão da campanha e com o fato dela poder ser proibida. Confira abaixo a entrevista na íntegra.
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Portal Giro News – Como vocês encararam esta repercussão da campanha?
Adilson Xavier - A minha primeira impressão foi de surpresa, porque eu acho que este é um assunto que já não cabe mais na sociedade brasileira. Nós estamos num estágio muito evoluído em relação a isso e, embora sempre haja uma minoria chata que quer encontrar problema em tudo, o povo, de modo geral, sabe diferenciar o que é piada daquilo que é sério.
GN – É um atraso então este tipo de discussão?
AX – Parece-me uma discussão fora de época, de muito barulho por uma coisa tão simples.
GN – O Conar está censurando a publicidade?
AX – O Conar está no papel dele. Nós temos de respeitar. O Conar está lá para julgar. Vale lembrar que ele não censurou nada. Ele está apenas avaliando a polêmica. Isso eu não vejo problema.
GN – E quem está impondo este tipo censura?
AX – Da parte de órgãos do governo há censura. Uma tentação incrível de manipular o processo criativo brasileiro. Estes órgão deveriam ser muito esclarecidos e não ter este tipo de postura. Eles estão querendo impor mudança em roteiros de filmes, roteiros de novela e ainda agem também na publicidade. Estão realizando um movimento que é de censura sim. Espanta também ver gente lá ficar tão enraivecida com coisas menores, sendo que existem um assuntos muito maiores para se resolver no contexto da mulher.
GN – Toda esta repercussão pode mudar o cenário da publicidade brasileira?
AX – Sem dúvida. Estamos criando uma minoria de chatos que querem acabar com o bom humor do país. Sensualidade é um dos componentes da sociedade brasileira, junto à alegria. Tem gente que quer acabar com isso. Querem tornar o Brasil careta.
GN – Existe algo de positivo nisso tudo?
AX - Uma coisa que eu acho positiva é que esse debate traz à tona o assunto, para que não soframos com isso no futuro. Mesmo que seja o movimento de uma minoria, isso ajuda a ter uma discussão mais ampla sobre em que estágio estamos na sociedade. Precisamos continuar sendo brasileiros, precisamos continuar achando graça da vida.